domingo, 22 de abril de 2018

«ROTHESAY BAY»

Veleiro (barca) de bandeira britânica, construído no estaleiro Birrell Stenhouse & Company, de Dumbarton (Reino Unido). Foi lançado à água no dia 26 de Setembro de 1877. O «Rothesay Bay» tinha casco de aço e arvorava 3 mastros. Apresentava-se como um navio de 775 toneladas de arqueação bruta, medindo 57 metros de comprimento por 9,50 metros de boca. O seu primeiro proprietário foi a casa armadora Hatfield Cameron & Cº, que o registou na capitania do porto de Glásgua. Destinado ao transporte de carga geral, este veleiro foi colocado nas ligações comerciais com a Austrália e a Nova Zelândia. Para onde realizou inúmeras viagens. Em 1909, o navio foi vendido a um armador norueguês (A. J. Freberg, de Sandefjord), que lhe deu o nome de «Activ». Que usou até 1914, ano em que o veleiro recuperou o seu nome original, na sequência de nova venda para Inglaterra. Três anos mais tarde, em 1917, esta barca foi parar às mãos da empresa Australian Ship Activ Ltd. (gerida por Charles Lundin e filhos), que a levou para a ilha-continente da Oceania. Onde estes seus novos donos acabariam por desfazer-se do velho navio; que, já noutras mãos, acabou por ser desarvorado e transformado num simples batelão. Entre 1921 e 1922 o seu casco foi parar à Nova Zelândia -aos portos de Wellington e de Aukland- onde ele foi usado como armazém flutuante de carvão. A carcaça inutilizada do outrora elegante «Rothesay Bay» acabou por ser desmantelada muitos anos depois -em 1936- num estaleiro de Orakei Beach, na ilha de Rangitoto.

«ABDA»

Anteriormente denominado «Koning Wilhem I», este navio, que hasteou bandeira dos Países-Baixos durante quinze anos, foi construído (em 1898) no estaleiro Royal Schelde, de Flessingen, para a companhia de navegação N. V. Stoomvaart Maats Nederland, com sede em Amesterdão. Adquirido pela Compagnie de Navigation Marocaine et Armenienne-Paquet (de Marselha), recebeu o novo nome de «Abda» e foi colocado numa linha rápida e directa que ligava a mais populosa cidade do sul de França a Marrocos. Na qual este paquete se manteve até 1915, ano em que -por causa da Grande Guerra- foi requisitado e transformado em navio auxiliar da armada gaulesa e usado como transporte de tropas. Nesse tempo, o navio em apreço apresentava as seguintes características : 4 332 toneladas de arqueação bruta, 116,40 metros de comprimento e 13,70 metros de boca. A sua propulsão era garantida por 1 máquina a vapor de quádrupla expansão, que lhe imprimia uma velocidade de cruzeiro de 14 nós. Podia transportar 944 passageiros em quatro classes distintas. Número que aumentou substancialmente na sua verão tropeira. Regressou à sua actividade civil no decorrer do ano de 1917. Em Setembro de 1931, o «Abda» zarpou de Marselha pela última vez. E, depois de um curto espaço de tempo passado no estaleiro de La Seyne-sur-Mer -onde lhe foram retiradas algumas peças ainda aproveitáveis, foi levado para Génova (no início de 1932), onde se procedeu ao seu desmantelamento. O «Abda» foi o navio em que -a 28 de Agosto de 1928- embarcou o famoso chefe rebelde Abd el-Krim (protagonista da guerra do Rif, contra franceses e espamhóis), para ser conduzido ao seu exílio forçado na ilha da Reunião. De onde esse herói do mundo árabe logrou evadir-se, após 22 anos de detenção.

sábado, 21 de abril de 2018

«BUONI AMICI»

Veleiro italiano construído, em 1885, pelo estaleiro de G. B. Guastavino, de Savona, Itália. Hasteava bandeira desse país e navegava (com carga diversa) no Mediterrâneo e costas da Europa atlântica, por conta do armador F. Cassini, de Porto Maurizio. Estava registado na capitania de Viarreggio. O «Buoni Amici» tinha casco em madeira, arvorava 3 mastros (aparelhados em lugre) e apresentava uma arqueação bruta de 235 toneladas. Media 31,55 metros de comprimento fora a fora por 7,82 metros de boca por 4,10 metros de pontal. A sua tripulação era constituída por 10 homens. O «Buoni Amici» foi afundado pelo submarino da armada imperial alemã «U-22» (então comandado pelo subtenente Heinrich Hashagen) ao largo da costa norte de Portugal, em data de 20 de Agosto de 1918. A equipagem do pequeno navio foi, como era hábito, intimada a abandoná-lo, antes deste ser destruído -provavelmente a tiros de canhão- pelo inimigo. O mestre do navio, Giuseppe Foggini (cujo veleiro se dirigia de Pasajes para Málaga) aportou a Viana do Castelo durante a tarde do fatídico dia e fez um relatório completo dos acontecimentos às autoridades marítimas locais. Esse relato seria confirmado posteriormente, quando se teve acesso ao diário de bordo do submersível germânico implicado nesse acto de guerra. Nota : a imagem anexada não reproduz o navio em apreço, mas uma embarcação do seu tipo.

«YONGALA»


Vapor de bandeira australiana, lançado à água em 29 de Abril de 1903, pelos estaleiros britânicos da empresa Armstrong Whitworth & Cº, de Newcastle-upon-Tyne. Foi construído na sequência de uma encomenda feita pela casa armadora Adelaide Steamship Company; que colocou este navio de transporte de passageiros na sua linha Adelaide-Melbourne-Sidney-Brisbane, prolongada, no inverno, até Cairns. Em 1906, o «Yongala» foi o primeiro navio de passageiros a navegar de Brisbane a Fremantle (porto da Austrália Ocidental) numa ligação directa de 5 000 quilómetros. Tratava-se de um pequeno paquete com 3 664 toneladas de arqueação bruta, que media 107 metros de comprimento. Estava equipado com 1 máquina de tripla expansão, cuja potência lhe garantia uma velocidade de cruzeiro de 15 nós. Da sua tripulação, faziam parte 72 membros. Este navio prestou grandes serviços na sua ligação entre os portos da Austrália, num tempo em que os transportes terrestres eram escassos e de qualidade duvidosa. O «Yongala» perdeu-se no dia 23 de Março de 1911, por não ter podido resistir a um violento ciclone que o assaltou durante uma viagem que efectuava entre Melbournr e Cairns; e depois de ter feito escalas em Brisbane e Mackay. O naufrágio ocorreu ao largo do cabo Bowling Green, na costa do Queensland. No desastre morreram todos os ocupantes do «Yongala» (tripulantes e passageiros), ou seja 122 pessoas. Cujos corpos nunca seriam devolvidos à terra pelo mar. Os restos do navio só seriam encontrados em 1958. E começaram, desde logo, a ser ponto de encontro de muitos mergulhadores desportivos locais e estrangeiros. Alguns despojos do navio foram entregues ao Museu Marítimo de Townsville, que os expõe nas suas salas.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

'YVETTE»

Lugre-patacho de bandeira francesa, construído especialmente para a faina maior nos Grandes Bancos do Canadá. Este navio de 400 tonéis (com casco em madeira) estava registado no porto de Granville, na Normandia. Já após ter feito a campanha de pesca de 1909, da qual regressou (proveniente de Saint Pierre e Miquelon) com o bojo a abarrotar de bacalhau salgado, o «Yvette» fez-se à vela para Fécamp, onde a sua tripulação pretendia descarregar 80 000 bacalhaus destinados às importantes secas locais. Mas, devido a uma inesperada e rija tempestade, o navio foi empurrado para terra e acabou por varar num trecho rochoso da costa, próximo do Conquet. O seu capitão e alguns homens da equipagem desembarcaram para pedir ajuda para safar o lugre, mas tiveram de desistir dessa empresa, por evidente falta de meios. Estava-se no dia 2 de Outubro do acima referido ano. E o «Yvette», assim como a sua preciosa carga de pescado, acabou mesmo por ceder à fúria dos ventos e do mar, perdendo-se por completo. A marinhagem pôde, no entanto e felizmente, sobreviver ao desastre. A frota bacalhoeira francesa, que nessa primeira década do século XX, era uma das mais numerosas e produtivas do mundo tem, tal como a nossa, uma história trágico-marítima marcada pela perda de muitos navios e equipagens...

«CUBA»


O paquete «Cuba» (com uma arqueação bruta de 11 900 toneladas e 151 metros de comprimento) foi construído em Inglaterra, pelos estaleiros da empresa Swan, Hunter & Richardson, de Newcastle. Foi registado no porto do Havre e integrado na frota da Compagnie Générale Transatlantique em Maio de 1923. Aquando da sua viagem inaugural, este navio partiu de Saint Nazaire e dirigiu-se para Vera Cruz (no México) depois de ter escalado Havana. Em 1930 passou a servir Colón (na costa atlântica de Panamá). E, cinco anos mais tarde, foi -a par do seu congénere «Colombie»- colocado na linha rápida Havre-Southampton-Antilhas. Foi por essa altura, que (já todo pintado de branco) este paquete francês foi vertido, ocasionalmente, para o serviço de cruzeiros, e que fez as suas primeiras viagens ao Báltico e ao arquipélado de Spitzberg. Em 1940 -no início da Segunda Guerra Mundial- o «Cuba» foi apresado pelo cruzador-auxiliar britânico «Moreton Bay» e levado para Freetown, na África Ocidental. Em 1941, este transatlântico (já com bandeira de Sua Majestade e ao serviço do 'Ministry War Transport') navegou para a costa leste dos Estados Unidos com um carregamento de cacau. E ali, nos estaleiros de Newport News, foi transformado em navio de transporte de tropas. Terminados esses trabalhos, o «Cuba» assegurou, numa primeira missão, o transporte -entre Halifax e Liverpool- de 2 100 elementos da aviação canadiana. Desde logo, este navio passou a operar, essencialmente, na zona Mediterrâneo-Suez-Índico, tendo participado na transferência de militares aliados para as frentes do norte de África e de Itália. Em Outubro de 1943, o «Cuba» transportou para Barcelona uma leva de prisioneiros alemães (sobretudo ex-combatentes do 'Afrika Korps'), que, naquele porto espanhol, foram trocados por prisioneiros dos Aliados. Convém referir que, nesse tempo, o antigo paquete da CGT já navegava com uma equipagem composta por elementos das Forças Navais da França Livre (FNFL), afecta à pessoa do general De Gaulle e à Resistência. E que, em Dezembro de 1944, quando o conflito se aproximava do seu termo, essa tripulação foi substituída por pessoal do seu armador original; que prosseguiram a missão de transportar militares. Na manhã de 6 de Abril de 1945, quando navegava (com 265 pessoas a bordo) do Havre para Southampton, o «Cuba» foi alvejado e afundado (a 8 milhas de Bambridge) pelo submarino alemão «U-1195»; que, refira-se a título anedótico, foi, pela mesma ocasião, destruído pelo contratorpedeiro HMS «Watchman». O naufrágio do «Cuba» foi o derradeiro de um mercante francês, ocorrido durante o segundo conflito generalizado. Notas : a escassa informação existente sobre o navio em apreço, não nos permitiu incluir neste articuleto dados sobre as suas principais características físicas e outras; também não nos foram facultadas fontes com informação sobre as eventuais vítimas do seu torpedeamento.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

«SERRÃO»

Lugre de bandeira portuguesa. Pertenceu, primitivamente, ao armador Manuel Pereira Serrão e foi matriculado no registo da capitania do porto de Lisboa, cidade de onde o seu proprietário era originário. A construcção deste navio de 3 mastros foi dada como pronta em fins do ano de 1916, pelo estaleiro de José da Silva Lapa, de Vila Nova de Gaia. Este veleiro apresentava uma arqueação bruta de 221,25 toneladas e media 35,10 metros de comprimento ponta a ponta por 8,40 metros de boca e por 2,80 metros de pontal. Quando foi lançado à água, navegava com 7 tripulantes colocados (entre 1916-1917) sob o mando do capitão ilhavense Manuel Pereira Ramalheira. Concebido para viagens de longo curso, o «Serrão» teve vida curta nas mãos do seu primeiro dono, pois cedo foi vendido (talvez devido aos perigos incorridos pela navegação -portuguesa, nomeadamente- durante a Grande Guerra) à empresa portuense J. Mourão & Companhia; que lhe mudou o nome para «Guadiana» e que transferiu (em 1917) o registo do navio para a Cidade Invicta. Foi afundado, no dia 5 de Março de 1917, pela guarnição do submarino «UC-44» -comandado pelo capitão Kurt Tebbenjohanns- por meio de explosivos e cargas incendiárias, no canal de Bristol, Reino Unido. O navio português carregava madeira da foz do rio Douro para Cardiff. Não temos notícias sobre a sorte da tripulação do malogrado lugre. Mas presumimos que se tenha salvo, pois a destruição de um navios em tais circunstâncias era, quase sempre e nos piores momentos do conflito, precedida por uma ordem de evacuação dos tripulantes. Nota : a imagem anexada não representa o navio em apreço; mas, isso sim, a de um congénere (não-identificado) do seu tempo.