domingo, 17 de setembro de 2017

«CHAMPLAIN»

Paquete francês pertencente à frota da prestigiosa armadora C.G.T. - Compagnie Générale Transatlantique, com base operacional no porto do Havre. Foi construído nos Ateliers et Chantiers de Saint Nazaire, que o lançaram à água em 15 de Junho de 1931. A sua viagem inaugural processou-se um ano mais tarde entre o Havre e Nova Iorque; linha regular que assegurou -com outros navios da mesma empresa de navegação (a famosa e respeitada French Lines) até Junho de 1940. Este paquete apresentava uma arqueação bruta de 28 124 toneladas e media 195,38 metros de comprimento por 25 metros de boca. As suas máquinas (2 grupos de turbinas a engrenagem de redução simples) desenvolviam uma potência de 25 500 ch, o que permitia ao navio avançar à velocidade de cruzeiro de 20 nós. O «Champlain», que recebeu o nome de um dos 'pais' do Canadá francês, era um paquete de classe única, que granjeou sucesso junto de uma clientela menos afortunada do que os passageiros de 1ª classe de outros 'liners' a operar na mesma carreira Europa-América do norte. Mas que beneficiavam, no entanto, de serviços de grande qualidade. Qualidade estendida, naturalmente, aos usuários de cruzeiros que, de tempos a tempos, ocupavam este navio. O «Champlain» podia receber a bordo 1 050 passageiros em cabines confortáveis. Apesar do estado de guerra, já estabelecido em 1940, entre a França e a Alemanha, este navio continuou as suas travessias transatlânticas, até que -em finais da primeira quinzena desse ano e à sua chegada a La Pallice- chocou com uma mina magnética largada pela aviação nazi. No choque com esse engenho explosivo, perderam a vida 11 membros da equipagem do paquete. Dias mais tarde -a 17 de Junho de 1940- um submarino germânico aproximou-se do navio ferido e disparou contra ele vários torpedos que o afundaram. Todos os passageiros, que já haviam sido postos a salvo, sobreviveram. Curiosidade : um mês antes do fim inglório do «Champlain», o grande escritor Vladimir Nabokov (o inesquecível autor de «Lolita») e a sua família viajaram para Nova Iorque neste navio.

«FÜRST BISMARCK»

Cruzador-couraçado da marinha imperial alemã. Foi construído no Kaiserliche Werft, de Kiel, que o lançou à água no dia 27 de Setembro de 1897. A não confundir com outros navios germânicos que usaram o mesmo nome. o «Fürst Bismarck» deslocava 11 461 toneladas (em plena carga) e media 127 metros de comprimento por 20,40 metros de boca por 7,80 metros de calado. O seu sistema propulsivo (máquinas a vapor de tripla expansão acopladas a 3 hélices) potenciavam 13 500 hp, força que permitia a este navio dispor de uma velocidade máxima de 18,7 nós e de um raio de acção (com andamento controlado) de 4 560 milhas náuticas. Este cruzador estava razoavelmente blindado (20 cm na cinta e torres de artilharia) e poderosamente armado com 4 canhões de 240 mm, 12 de 150 mm, 10 de 88 mm e com 6 tubos lança-torpedos de 450 mm. Da sua guarnição faziam parte 585 sargentos e praças e 36 oficiais. Foi inicialmente chamado «Ersatz Leipzig», mas rapidamente mudou de nome. Destinava-se a operar no ultramar, mais precisamente a assegurar a defesa dos territórios alemães da Ásia-Pacífico. Esteve nessa região do mundo entre 1900 e 1909, onde, na China, fez parte do contingente militar alemão que participou na guerra dos Boxers. De regresso a Kiel, em Junho desse mesmo ano de 1909, entrou na doca seca do respectivo arsenal, para sofrer trabalhos de modernização. Obras que foram dadas como concluídas em 1914, pouco tempo antes de ter rebentado a Grande Guerra. Mas, tecnologicamente ultrapassado, o «Fürst Bismarck» foi impedido de integrar a linha da frente, passando a cumprir missões secundárias, tais como a defesa costeira, a instrução de marinheiros e a servir como navio-quartel de marinheiros. Depois da derrota da Alemanha e da assinatura do Armistício, este cruzador-blindado de finais do século XIX, foi dado como desnecessário e mandado para a sucata. Foi desmantelado em 1919.

«ÉLÉPHANT»

Vaso de guerra setecentista da marinha de guerra de Luís XV, rei de França. Foi um dos vários navios de combate (estava armado com 64 canhões) de bandeira tricolor desenhado por  Blaise Coulomb, membro de uma reputada família de arquitectos navais. Foi construído no arsenal de Toulon (porto do Mediterrâneo), que o lançou ao mar em 1720. o «Éléphant» deslocava 1 500 toneladas e media 55,10 metros de comprimento por 14,10 metros de boca. O seu calado cotava 6,80 metros. Tinha uma guarnição (composta por marinheiro e soldados) que ascendia a 640 homens. Serviu, durante 9 anos, na marinha real gaulesa, sem que algum facto assinalável o fizesse entrar na História naval. Realizou algumas travessias transatlânticas (pelo menos duas) com destino à Nova França, quer dizer ao Canadá colonizado por Paris. No decorrer da última dessas viagens, naufragou, após encalhe -ocorrido a 1 de Setembro de 1729- junto a Isle-aux-Grues (pequeno arquipélago do rio São Lourenço), quando já entrara na fase final de uma viagem que havia começado em La Rochelle e tinha como destino a cidade de Quebeque. A bordo seguiam figuras gradas da época, como, por exemplo, monsenhor Dosquet (4º bispo de Quebeque), o intendente Gilles Hocquart e um oficial da armada de apelido Rigaud de Vaudreuil, capitão do navio e filho primogénito de um antigo governador da colónia. Não houve vítimas a lamentar entre as pessoas que viajavam a bordo do «Éléphant».

sábado, 16 de setembro de 2017

«GENERAL SLOCUM»

Vapor de rodas laterais, que hasteou bandeira dos Estados Unidos. Foi realizado em 1891 nos estaleiros da firma Devine Burtis Jr., de Brooklyn, Nova Iorque, por encomenda da casa armadora Knickerbocker Steamship Cº, que explorava linhas de transporte de passageiros nos rios East River e Hudson. O «General Slocum» tinha uma arqueação bruta de 1 284 toneladas e media 72 metros de comprimento por 11,40 metros de boca. O seu calado não ultrapassava os 3,70 metros. Construído em madeira (casco e super-estruturas), movia-se graças a 1 máquina a vapor, equipada com 2 caldeiras, cuja força lhe proporcionava uma velocidade máxima de 16 nós. A sua equipagem era composta por 22 homens, incluindo o capitão. A sua carreira desenrolou-se sem história até ao dia 15 de Junho de 1904, data em que se incendiou -no East River- e se afundou com (segundo as fontes mais credíveis) 1 342 pessoas a bordo. A tragédia -que provocou a morte de mais de 1 000 desses passageiros e tripulantes- vitimou muitas mulheres e crianças ligadas à Igreja Evangélica e, na sua maioria, habitando o bairro de Little Germany, em Manhattan. Comunidade que, anualmente, participava numa excursão fluvial organizada pela igreja de São Marcos. Presume-se que a catástrofe (a mais dramática da História da cidade de Nova Iorque até ao 11 de Setembro de 2001) foi provocada por uma beata cigarro ainda acesa, displicentemente atirada ao chão por um dos viajantes dos conveses de proa. A falta de equipamentos de segurança a bordo (salva-vidas, bóias, mangueiras, bombas, baldes de areia, etc.) também muito contribuiu para que o naufrágio do «General Slocum» (nome de um oficial nortista da Guerra de Secessão) tivesse a dimensão que se conhece. A carcaça da embarcação ainda foi reemergida e transformada num batelão ao qual foi dado o nome de «Maryland». Até que foi desmantelada.

«SANGAMON»

Porta-aviões de escolta pertencente à armada dos Estados Unidos da América. Usou o indicativo de amura CVE-26. Deu o seu nome a uma classe de navios, que também compreendeu o «Sawannee», o «Chenando» e o «Santee»; todos eles realizados a partir dos cascos de outros tantos petroleiros do tipo T3, cujos projectos foram abandonados devido às ameaças de guerra e à necessidade urgente de dotar a marinha militar dos 'states' com novos porta-aviões ligeiros. O navio que resultou neste porta-aeronaves deveria chamar-se ««Esso Trenton». A realização do «Sangamon» ficou a cargo dos estaleiros da empresa Federal Shipbuilding and Dry Dock Company (de Kearny, Nova Jérsia»), que o lançaram à água no dia 4 de Novembro de 1939. Mas só integrou oficialmente os efectivos da armada estadunidense no ano seguinte. Era um navio que deslocava, em plena carga, 24 665 toneladas e que media 169 metros de comprimento por 34,82 metros de largura. O seu calado atingia a cota dos 9,86 metros. A sua propulsão era assegurada por um sistema de turbinas e caldeiras a vapor e por 2 veios. O dito beneficiava de uma potência de 13 500 ch, que lhe podia imprimir uma velocidade máxima de 18 nós e disponibilizar um raio de acção de 23 900 milhas náuticas com andamento reduzido a 15 nós. Este navio estava armado com 18 peças de artilharia de diferentes calibres, 12 das quais (de 20 mm) estavam vocacionadas para a defesa antiaérea. Podia embarcar até 31 aeronaves.  A sua guarnição completa era de 1 080 homens, incluindo o corpo de oficiais. Durante a 2ª Guerra Mundial, o «Sangamon» esteve presente nas campanhas do Atlântico, mas em 1942 voltou ao estaleiro para receber beneficiações de vários níveis.  Depois, esteve na Operação Torch, no norte de África, onde forneceu, com os seus aviões, apoio aéreo às tropas aliadas que ali tomaram pé. Em seguida foi mobilizado para o Pacífico, vasto teatro de operações, onde deu protecção a desembarques das tropas norte-americanas e participou nas batalhas do mar das Filipinas (Leyte, Serigao, etc) e em muitos outros letais combates contra as forças japonesas, como, por exemplo, os de Okinawa. Sofreu vários ataques directos do inimigo, nomeadamente por parte de aviões-suicidas, os temíveis 'kamikazes'. Sofreu mortos, feridos e desaparecidos nesses combates e perdeu aeronaves, mas sobreviveu ao conflito. Ganhou várias condecorações, entre as quais se destacam 8 'Battle Stars' e os seus 3 grupos aéreos foram citados pelo presidente dos EUA. Este navio encontrava-se em reparação no arsenal de Norfolk (Virgínia), quando ali chegou a notícia da rendição incondicional dos nipónicos. Os trabalhos foram interrompidos imediatamente e, no mês de Outubro de 1945, foi ordenada a sua desactivação. Vendido a particulares (que o modificaram, obviamente, para o serviço mercante) o navio acabou por ser enviado para o ferro-velho em 1960, tendo sido desmantelado num estaleiro especializado de Osaka, no Japão.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

«HAWKE»

Cruzador protegido da 'Royal Navy'. Pertenceu à classe 'Edgar' e foi construído pelos estaleiros Chatham Dockyard (perto de Londres), que o lançaram à água em 1891. Foi o sexto navio de guerra britânico a usar o nome de «Hawke». Era um navio com 7 770 toneladas de arqueação bruta, que media 110 metros de longitude por 18 metros de boca. O seu calado era de 7,30 metros. A potência da sua maquinaria a vapor ascendia a 12 000 cv, força que lhe autorizava uma velocidade de 20 nós. Estava medianamente blindado (daí o termo de 'protegido') e armado com 2 canhões de 233,7 mm, 10 de 152,4 mme com tubos municiados com 12 torpedos de 578 mm. O seu raio de acção era de 10 000 milhas náuticas com andamento reduzido a 10 nós. No seu historial contam-se algumas missões cumpridas no Mediterrâneo (nomeadamente na ilha de Creta, durante a crise greco-turca), antes de eclodir a Grande Guerra.  A 20 de Setembro de 1911, entrou em colisão com o paquete «Olympic», da White Star Line, acidente em que perdeu a proa. Um inquérito judicial ilibou de culpas o comandante e a guarnição deste cruzador. Quando rebentou o conflito com o Impérios Centrais, em 1914, o «Hawke» cumpriu várias missões no mar do Norte. Onde -a 15 de Outubro desse primeiro ano de conflito- foi torpedeado e afundado pelo submarino germânico «U-9». o «Hawke» soçobrou em poucos minutos com a sua guarnição composta por 27 oficiais e 500 marinheiros. Só 64 dos seus homens sobreviveram a este cruel acto de guerra, que enlutou todo o Reino Unido e as nações aliadas...

«POUQUOI PAS ?»

Navio oceanográfico de bandeira francesa, cuja utilização é feita em parceria pela armada e pela IFREMER (Institut Français de Recherche pour l'Exploitation de la Mer). Que financiaram o seu custo, estimado em 66 milhões de euros. Este navio científico foi construído pelos Chantiers de l'Atlantique, de Saint Nazaire, que o entregaram aos seus comanditários no ano de 2005. AS suas principais missões desenrolam-se nos campos da hidrografia, da geociência, da oceanografia física, química e biológica e podem recorrer aos serviços dos mini-submarinos «Nautile» e «Victor 6000». O seu nome foi inspirado pelo do navio polar que o comandante Charcot utilizou nas primeiras décadas do século XX. Este navio desloca 6 600 toneladas e mede 107,60 metros de comprimento por 20 metros de boca e o seu calado é de 6,90 metros. Tem uma guarnição de 20 homens (incluindo oficiais) e pode receber a bordo 40 cientistas e técnicos. Tem propulsão diesel/eléctrica e pode atingir a velocidade máxima de 14 nós. A sua autonomia é de 64 dias, com velocidade reduzida a 11 nós. Não tem capacidades polares. O «Pourquoi Pas ?» está apetrechado com toda a aparelhagem moderna de que necessita para os seus trabalhos de cariz científico e de laboratórios para as mais variadas pesquisas e exames de toda a natureza. Leva médico a bordo e, eventualmente -para receberem formação específica- 2 alunos-oficiais. Uma equipa de especialistas capazes de operar (e de reparar) todo o material sofisticado de pesquisas e outro, também tem lugar a bordo. Este navio também está preparado para, em caso de necessidade, fornecer ajuda a submarinos em perdição. É operado 150 dias por ano pela marinha de guerra francesa (ou melhor pelo SHOM - Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha) e 180 dias pela IFREMER. É considerado um dos melhores navios da sua categoria da Europa.