domingo, 28 de setembro de 2014

«DRONNING MAUD»

Navio de passageiros e carga diversa de bandeira norueguesa. Foi construído em 1925 nos estaleiros da firma Mekaniske Verksted, de Fredrikstad, para a frota da companhia armadora DND; que explorava uma linha - o Expresso Costeiro- que percorria todo o litoral do chamado 'País dos Fiordes'. O «Dronning Maud» ('Rainha Maud'), que estava registado no porto de Trondheim, tinha capacidade para receber 400 passageiros. Com uma arqueação bruta de 1 489 toneladas e com 71,63 metros de comprimento, este navio estava equipado com 1 máquina a vapor de tripla expansão desenvolvendo 1 500 cv, que lhe facultava 13 nós de velocidade de cruzeiro. Durante o seu tempo de serviço, este navio de cabotagem distinguiu-se pelo apoio prestado a várias embarcações em dificuldade, nomeadamente (em 1926) ao vapor «Pallas», que encalhou ao largo de Gronoy. Já durante a 2ª Guerra Mundial, em Janeiro de 1940, o «Dronning Maud» ilustrou-se ao salvar a equipagem (36 homens mais 2 pilotos noruegueses) de um navio alemão em perdição, o «Johann Schulte». Este feito ocorreu de noite e em condições de tempo desfavoráveis e foi considerado um dos mais sensacionais da história da marinha mercante local. Esse acto de grande generosidade não impediu, porém, a aviação nazi de bombardear o «Dronning Maud» poucos meses mais tarde -no dia 1º de Maio de 1940- quando o navio cumpria uma missão de cariz humanitário para a Cruz Vermelha. A bordo morreu elevado número de tripulantes e passageiros, entre os quais figuravam 9 médicos. O navio norueguês afundou-se (depois de ter ardido) a escassa distância dos cais de Foldvik, para onde se dirigia. A Alemanha (pós-hitleriana) reconheceu tardiamente (em 1960) o esforço e dedicação da tripulação do navio norueguês, por ocasião do socorro prestado aos náufragos do «Johann Schulte. Atribuindo uma medalha de ouro ao capitão Edward Grundt, comandante do navio em 1940 e sobrevivente de guerra.

«SERVIA»

Paquete da companhia Cunard Line, construído em 1881, -pelos estaleiros J. & G. Thompson, de Glásgua- para assegurar serviços de correio e de transporte de passageiros (especialmente de emigrantes) entre Liverpool e Nova Iorque. Foi o primeiro navio do seu armador a dispor de instalação eléctrica. E também o primeiro navio da Cunard a usar aço (em vez de ferro) na realização do seu casco, o que o tornava mais ligeiro e resistente. Características inovadoras (entre outras), que levaram alguns historiadores a considerá-lo o primeiro transatlântico moderno. O «Servia» que, no seu início de carreira, ainda usou velas auxiliares, apresentava-se como um navio de 7 392 toneladas (GT) e media 157 metros de comprimento por 15,90 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por maquinaria a vapor desenvolvendo uma potência de 10 300 ihp e por 1 hélice, que lhe proporcionavam uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 16,7 nós. Este navio tinha capacidade para receber 480 passageiros de 1ª e 750 em 3ª classe. A sua tripulação era formada por 298 membros. O «Servia» foi construído segundo as especificações do Almirantado britânico, que permitiam transformá-lo, em caso de necessidade, num cruzador auxiliar. Tendo passado -depois do aparecimento dos seus congéneres «Campania» e «Lucania», em 1893- para um serviço subalterno, o paquete em apreço foi militarizado, durante a guerra dos Boers, levando para a África do Sul tropas e material bélico. Terminou a sua carreira num estaleiro de demolição, em 1902.

«ST. LAWRENCE»

Este, foi o primeiro navio de linha britânico concebido para operar exclusivamente em água doce. Lançado em 1814 pelos estaleiros de Frederick Point, de Kingston (primeira capital do Canadá), o «St. Lawrence era um navio de 2 305 toneladas de deslocamento (em plena carga), medindo 59 metros de longitude por 16 metros de boca. Não tinha castelo de popa. A sua guarnição era composta por 700 oficiais, marinheiros e soldados (837, segundo outras fontes) e estava armado com 112 canhões, alinhados em três níveis distintos. Ou seja, este veleiro de 3 mastros era de comprimento superior ao «Victory», de Horácio Nelson, e dispunha de um poder de fogo superior ao desse emblemático navio da 'Royal Navy' e da decisiva batalha de Trafalgar. Destinado a operar no lago Ontário, o «St. Lawrence» serviu durante a chamada guerra de 1812 -contra os Estados Unidos- mas não chegou a participar em nenhum dos combates travados, de tal modo era intimidante a sua presença. O seu papel resumiu-se, pois, ao de uma formidável arma de dissuasão e ao cumprimento de missões de patrulha na rota de abastecimentos do Alto Canadá. Parece que as ordens para o construir se referiam a um navio de menores dimensões, mas que o responsável pela sua construção -o comodoro sir James Lucas Yeo- ultrapassou as determinações da hierarquia para chegar ao resultado final. Dizem os peritos que o «St. Lawrence» era um navio pouco estável, devido ao facto de dispor de um calado bastante inferior (por óbvias razões) ao dos navios de mar com as suas dimensões. Depois do conflito com os norte-americanos, este navio -tornado inútil e de manutenção incomportável- foi desarmado (em 1815); e, em 1832, o seu casco foi vendido a um civil de nome Robert Drummond pela ridícula soma de 25 libras. Mais tarde, a sua carcaça foi usada como armazém de uma conhecida fábrica canadiana de cervejas. Finalmente, este antigo e impressionante navio de guerra -o maior que os Grandes Lagos conheceram- afundou-se em águas pouco profundas, a pouca distância de Kinston. Onde, hoje, os seus restos servem de estudos aos arqueólogos subaquáticos e de lugar de diversão aos mergulhadores desportivos autorizados. O Museu do Real Colégio Militar do Canadá, sedeado em Kingston, possui, nas suas colecções, um modelo deste singular e impressionante navio lacustre.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

«SPARROW»

Canhoneira da classe britânica 'Redbreast', que comportou 9 unidades, todas elas com nomes de pássaros. Este navio -lançado à água em Setembro de 1889, pelo estaleiro da companhia Scotts, de Greenock- foi o derradeiro da série. E o de maior longevidade, visto só ter sido desmantelado no ano de 1955. Esta canhoneira (de propulsão mista, vela/vapor) esteve ao serviço da 'Royal Navy' até 1904, ano em que foi cedida ao governo da Nova Zelândia; que a baptizou com o nome de «Amokura» e a colocou ao serviço em Outubro de 1906. Entre outras missões, este navio actuou como escola de marinheiros e de formação de oficiais. No decorrer da mais longa das suas viagens, visitou ilhas da região sub-Antárctica. Navegava graças a um sistema vélico assente em 3 mastros e numa máquina a vapor de tripla expansão com 1 200 ihp de potência, acoplada a 1 hélice. Dispunha de uma autonomia de 2 500 milhas náuticas e a sua velocidade máxima era de 13 nós. Enquanto navio militar, contou com uma guarnição de 76 homens e esteve armado com 6 canhões de 101,6 mm e com 4 metralhadoras. Manteve-se ao serviço do governo neozelandês até à sua desclassificação em 1921. No ano seguinte, o navio foi vendido a um armador local, que o utilizou como navio carvoeiro durante perto de três décadas. Alguns restos desta antiga canhoneira ainda hoje são visíveis numa praia da região de Marlborough Sounds. Deslocamento : 805 toneladas; 50,30 metros de comprimento; 9,40 metros de boca; 3,35 metros de calado.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

«ATLANTA»

Este cruzador ligeiro da armada dos Estados Unidos da América pertenceu à classe de navios que usou o seu nome e que foi constituída por 8 unidades. Concebido para dar apoio aéreo às esquadras, o «Atlanta» -um navio com 6 000 toneladas de deslocamento e com 164,90 metros de comprimento por 16,10 metros de boca- estava armado com canhões AA, de 127 mm (16), agrupados em torretas duplas de tiro semi-automatizado e dispunha, ainda, de 16 outras peças AA de 40 mm e mais 8 de 20 mm, para além de 8 tubos lança-torpedos de 533 mm e de uma provisão de 80 granadas anti-submarinas. Este poderoso navio, que tinha uma guarnição de 623 homens, usava o indicativo de amura CL-51. Foi construído em 1941, nos estaleiros Federal Shipbuilding de Kearny, na Nova Jérsia e, em seu tempo, mobilizado para a guerra do Pacífico. Participou nalgumas das mais importantes batalhas travadas nesse teatro de operações contra a frota japonesa -Midway, ilhas Salomão, Guadalcanal- onde foi várias vezes alvejado pela artilharia naval japonesa e por fogo amigo. Até que, no decorrer da última batalha citada, - 13 de Novembro de 1942- o «Atlanta» foi duramente atingido pelas forças inimigas, perdeu grande número de tripulantes e acabou por incendiar-se. Apesar dos esforços desenvolvidos pelos outros navios da frota americana para o salvar, o CL-51 estava irremediavelmente perdido. Tendo recebido ordens superiores para agir em consequência, o comandante do navio (capitão Jenkins) mandou evacuar a guarnição, depois desta ter colocado algumas cargas explosivas, que precipitaram o seu soçobro. Os restos do USS «Atlanta» foram descobertos e identificados, em 1992, por uma expedição chefiada pelo Dr. Robert Ballard, famoso por já ter encontrado as carcaças do «Titanic» e do «Bismarck». O relato da descoberta do «Atlanta» foi feito no livro «Os Navios Perdidos de Guadalcanal», da autoria de Ballard. Várias expedições visitaram e filmaram, entretanto, o malogrado cruzador. Curiosidade : No mesmo dia e no mesmo lugar em que o «Atlanta» se afundou, registou-se a perda de outro navio da mesma classe : o USS «Juneau» (CL-52), ao qual está ligada a pungente história dos cinco irmãos Sullivan.

«MONARCA»

Navio de guerra espanhol de finais do século XVIII. Foi construído em 1794, nos Reales Astilleros de Esteiro,  no Ferrol, Galiza. Pertencia à classe 'Montañés' e à série dita dos 'San Ildefonsinos', projectada pelo famoso engenheiro naval Romero Landa. Deslocava 1 640 toneladas e media 50,80 metros de longitude por 13,92 metros de boca. O seu calado era de 6,70 metros. Estava armado (tal como os outros navios do seu tipo) com 74 canhões de distintos calibres, distribuídos por duas cobertas. A sua guarnição era composta por 672 marinheiros e soldados. Colocado sob a protecção de São Caetano, este vaso de guerra teve como primeiro capitão José Justo Salcedo e foi integrado na esquadra de Juan de Lángara. A sua primeira missão oficial foi executada aquando da defesa de Rosas, durante a guerra contra a república francesa. Em Outubro de 1805, o «Monarca» (comandado pelo capitão Teodoro Argumosa) foi lançado na batalha de Trafalgar, contra as esquadras de Horácio Nelson. Depois de ter afrontado vários navios britânicos, que muito o castigaram e que lhe causaram 100 mortos e 150 feridos, o navio rendeu-se à guarnição do HMS «Bellerophon». Com uma força de presa constituída por 55 marinheiros ingleses, os espanhóis decidiram sabotar o «Monarca» e deixá-lo derivar (ao sabor de uma tempestade), na esperança de alcançar Cádiz ou qualquer outro porto amigo. Mas o navio foi alcançado pelo HMS «Leviathan», que resgatou a marinhagem inglesa e deixou o veleiro ibérico à mercê do temporal. A 28 de Outubro, o  «Monarca» deu à costa em Arenas Gordas (entre San Lúcar de Barrameda e Huelva), onde, três dias mais tarde, o HMS «Naid» o incendiou, para o colocar definitivamente fora e combate. Nota : a ilustração anexada representa o «Neptuno», um navio similar ao «Monarca» e igualmente armado com 74 bocas de fogo.

«RANGITATA»

Paquete de bandeira britânica, pertencente à armadora New Zealand Shipping Company; que, desde a sua fundação em 1873 e durante décadas, assegurou o transporte de passageiros e mercadorias entre Londres e Wellington, via canal do Panamá. Este navio (que tinha dois gémeos : o «Rangitiki» e o «Rangitane») foi construído em 1929, nos estaleiros John Brown & Co., de Clydebank (Escócia).  Especializou-se no transporte de emigrantes para os 'dominions' da Oceânia. Mas, quando rebentou a Segunda Guerra Mundial, o «Rangitata» foi requisitado pelas autoridades militares e serviu -entre 1940 e 1945- como transporte de tropas. Nessa época, a sua capacidade passou a ser de 2 600 militares e as necessidades levaram-no até regiões por ele nunca antes navegadas como o Mediterrâneo e mares do Próximo-Oriente . Também esteve envolvido em missões humanitárias, transportando refugiados, especialmente, crianças. Em Novembro de 1940, quando integrava o comboio HX48, foi atacado por navios da marinha nazi (entre os quais se encontrava o couraçado de bolso «Admiral Scheer») e atingido por um torpedo; que não lhe causou estragos de monta. Regressou à vida civil em 1949 (depois de ter recebido importantes trabalhos de restauro e de ter mudado todo o seu sistema propulsivo) e à sua linha de origem, transportando novos contingentes de emigrantes, fugidos ao caos que reinava na Europa do pós-guerra. A sua carreira terminou em 1962, ano em que foi desmantelado. O «Rangitata» era um navio com 16 737 toneladas de arqueação bruta, que media 168,55 metros de comprimento por 21,41 metros e boca. As suas primeiras máquinas diesel desenvolviam uma potência de 9 300 bhp, que lhe permitiam navegar à velocidade máxima de 15 nós. Depois do seu restauro em 1949, essa potência passou a ser de 15 000 bhp e a sua velocidade  aumentou para 16 nós.

«NOTRE-DAME DU VERGER»

Construído em Saint Malo em 1909, para participar nas campanhas de pesca ao bacalhau na Terra Nova, o «Notre-Dame du Verger» era um veleiro com casco em madeira, arvorando 3 mastros e com 227 toneladas de arqueação bruta. Registado no porto de Cancale, pertenceu ao armador Le Harf, de Saint Servan.  Devido à perigosidade do Atlântico norte durante a Grande Guerra, este navio interrompeu a sua actividade piscatória em águas canadianas em 1915. Em 1917, tinha por capitão Benoit Chevalier, que comandava uma equipagem de 8 homens. Aquando de uma viagem a águas portuguesas, sob as cores da empresa Montains, de Swansea (País de Gales), que o havia afretado, o veleiro em apreço zarpou de Lisboa a 2 de Janeiro desse mesmo ano de 1917, quando foi interceptado -ao largo do cabo da Roca- pelo submarino alemão «UC-34», que se encontrava sob as ordens do tenente Otto Launburg. Oficial que obrigou a tripulação do veleiro a abandoná-lo e a tomar lugar nas chalupas de bordo. Uma equipa do submarino investiu, então, o «Notre-Dame du Verger» e nele colocou as cargas explosivas que o haveriam de afundar. Todos os homens da equipagem do veleiro sobreviveram, tendo chegado a Cascais no dia 3, por volta das 6 horas da manhã. De referir que o «UC-34» afundara, na véspera da destruição do navio francês -a 1 de Janeiro- o «Britannic» (de pavilhão norueguês) ao largo de Leixões. E que, no mesmo dia 2, atirou para o fundo mais dois navios de bandeira grega. Notas : o nome dado a este bacalhoeiro bretão homenageava a padroeira dos pescadores de Cancale; a imagem anexada não representa o «Notre-Dame du Verger», mas um navio similar do seu tempo.