domingo, 20 de agosto de 2017

«SAN DIEGO»


Galeão de Manilha. Quer dizer que este, o «San Diego»,era um navio espanhol, daqueles que, nos séculos XVI e XVII, asseguravam e mantinham abertas as ligações comerciais entre as Filipinas e a costa ocidental do México. De onde as mercadorias eram, depois, levadas (por meios terrestres) para a contracosta e, dali, transferidas para Espanha. Deste galeão espanhol não se sabe grande coisa, a não ser que estava armado com 14 canhões e que a sua tripulação andava à roda de 400 membros. Conhece-se, também, qual foi o seu fim : foi afundado no dia 10 de Dezembro do ano de 1600, na sequência de um ataque perpetrado por uma frota de guerra batava constituída pelos navios «Eendracht», «Hope» e «Mauritius». comandada pelo corsário Olivier van Noort; que pretendia apoderar-se do rico carregamento do navio ibérico e traçara planos para conquistar a própria cidade de Manilha. Os desígnios dos holandeses (no referente à conquista da capital filipina) goraram-se, mas o «San Diego» saiu derrotado do confronto e soçobrou em águas do Índico com as suas riquezas. No naufrágio pereceu 3/4 da sua tripulação; mas salvaram-se o vice-governador e comandante do navio Don Antonio de Morga Sánchez Garay para além de um cento de outros membros da guarnição. Os restos do galeão «San Diego» foram achados em Abril de 1992 pelo arqueólogo subaquático Frank Goddio, na baía de Manilha, a 52 metros de profundidade. Deles foram retirados uns 6 000 objectos (moedas, jóias, porcelanas chinesas da dinastia Ming, armas individuais e os canhões), sendo que 70% deles foram parar ao Museu Naval de Madrid (onde podem ser admirados) e os 30% restantes foram confiados ao Museu Nacional das Filipinas. No sítio do afundamento do galeão ficaram, 'apenas', os destroços sem valor comercial ou histórico do «San Diego» e as macabras ossadas de 300 marinheiros e soldados que pereceram na peleja travada contra os Holandeses... Nota : a imagem anexada não representa o navio em apreço, mas um galeão do seu tipo e do seu tempo.

«JOÃO COSTA»

Navio-motor com casco em madeira, que pertenceu à frota bacalhoeira da Sociedade de Pesca Luso-Brasileira, Lda., da Figueira da Foz. Foi construído no ano de 1945 nos Estaleiros Navais do Mondego, na Murraceira (junto à Figueira) por uma equipa  de artífices colocados sob a supervisão de mestre Benjamim Bolais Mónica. Apresentava 773 toneladas de arqueação bruta e media 47,50 metros de comprimento por 10,40 metros de boca por 5,50 metros de pontal. Este navio estava equipado com 1 máquina desenvolvendo uma potência de 600 hp. Tinha uma tripulação de mais de 70 homens, entre oficiais, marinheiros e pescadores; procedendo estes últimos à captura do pescado à linha, com o auxílio de dóris. Concebido para a pesca longínqua, o «João Costa» frequentou -até 1952- os Grandes Bancos da Terra Nova e da Gronelândia. Mas, naquele ano, acabada a campanha e quando já regressava a Portugal com 11 000 quintais de bacalhau salgado, o navio foi destruído por várias explosões; que ocorreram na casa das máquinas por causa, ao que se apurou, de um curto circuito no seu sistema eléctrico. E, em consequência disso, o «João Costa» afundou-se (numa posição calculada em 60 milhas náuticas a norte do arquipélago dos Açores) no dia 23 de Setembro. Por prudência, todos os homens de bordo já haviam tomado lugar a bordo dos dóris, quando se deu o derradeiro e fatal estoiro; que provocou o soçobro do bacalhoeiro. Distribuídos por vários botes, os tripulantes do desditoso navio andaram à deriva no oceano Atlântico durante 6 dias, sem mantimentos e sem água potável. Acabaram por ser resgatados desnutridos, sequiosos e sofrendo do frio -mas com vida- por três navios estrangeiros : pelo «Henriette Schulte», de bandeira federal alemã, e pelos norte-americanos «Compass» e «Steel Executive»; que recolheram, respectivamente, 27, 12 e  35 homens. Que, dos Açores e de Lagos, acabaram de voltar aos seus lares, com uma dramática aventura para contar... Este navio-motor era 'sister ship' do «Capitão Ferreira»; que foi construído no mesmo ano e no mesmo estaleiro.

sábado, 19 de agosto de 2017

«ATLANTIC»

Navio de passageiros britânico, que pertenceu à frota da companhia White Star Line. Era um misto (vela/vapor) construído em 1870 pelos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast, no Reino Unido. Mas só foi colocado no serviço transatlântico em Junho do ano seguinte. A sua arqueação bruta era de 3 707 toneladas e as suas dimensões as seguintes : 128,40 metros de comprimento, por 12,40 metros de boca. Estava equipado com 4 mastros (aparelhados em barca) e com 1 máquina a vapor de 600 cv acoplada a um veio. Conjunto propulsivo que lhe permitia navegar à velocidade de 14,5 nós. Durante dois anos, o «Atlantic» e os seus gémeos ofereceram à clientela -de 1ª classe- da sua companhia um conforto até então inédito na carreira Europa Nova Iorque; que, entre outros luxos, dispunha de cabines iluminadas por candeeiros a petróleo, em vez das tradicionais velas de cera. Disso beneficiavam, pois, os 166 passageiros privilegiados do navio; que podia transportar mais 1 000 passageiros de porão, que viajavam em condições promíscuas. A 20 de Março de 1873, o «Atlantic» zarpou de Liverpool para efectuar aquela que seria a sua 19ª travessia, Cerca de mil pessoas haviam tomado lugar a bordo. O oceano foi atravessado sem incidentes, salvo o facto de se ter efectuado um desvio para Halifax, onde se pretendia carregar carvão. E, no dia 1º de Abril, envolvido numa inesperada tempestade, agravada pela falta de visibilidade provocada por espesso nevoeiro, o navio foi chocar com o Marr's Head, um rochedo da ilha de Meagher; já em águas canadianas da Nova Escócia. Eram 2 horas da manhã e gerou-se o pânico entre os passageiros e os membros da tripulação. Embora a terra firme se situasse a, apenas, 50 metros de distância, ocorreu uma catástrofe; que vitimou centenas de pessoas. Todas as mulheres viajando a bordo do «Atlantic» (que eram 156) pereceram no naufrágio e das 189 crianças presentes, só uma delas sobreviveu. Estima-se que mais de 500 pessoas morreram no afundamento do navio e o seu capitão foi acusado, em tribunal, de conduta negligente perante a situação. O que resta da carcaça do infortunado navio repousa a 25 metros de profundidade e vários objectos nela recuperados estão expostas no museu marítimo de Halifax e num parque dedicado à memória das vítimas deste abominável desastre...

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

«SHAMROCK III»


O navio «Shamrock III» foi um arrastão de pesca de bandeira francesa, usado durante cerca de 30 anos pelos Établissements Ledun, de Fécamp, na pesca longínqua. Captuou bacalhau, em regime de quase exclusividade, nas águas da Terra Nova e de Saint Pierre e Miquelon; onde foi um dos derradeiros navios do seu tipo a operar. Pescado que era salgado a bordo, pelo facto do «Shamrock III» ainda não estar equipado com instalações de congelação. Este bacalhoeiro foi construído, em 1956, no estaleiro Beliard & Crighton, de Ostende (Bélgica). Apresentava 948 toneladas de arqueação bruta e media 70,85 metros de comprimento (fora a fora) por 10,85 metros de boca. A sua única máquina propulsiva desenvolvia uma potência de 1 103 kw. Foi matriculado na Normandia, no já mencionado porto de Fécamp com os registos sucessivos de F.1146 e de FC.249578. Foi desmantelado por uma empresa de Bruges (Bélgica) no ano de 1982, para cujo estaleiro este arrastão ainda se deslocou pelos seus próprios meios. A sua celebridade (reconhecida, sobretudo, nos meios piscatórios de França) adveio-lhe por vários motivos : pela sua longevidade (como já foi referido), por ter sido escolhido para ilustrar um selo postal de Saint Pierre e Miquelon (ver topo), por ter participado no filme «Le Crabe-Tambour», realizado por Pierre Schoendoerffer e por ter sido citado no livro «Le Grand Métier», da autoria de Jean Récher, que foi seu piloto durante várias campanhas de pesca longínqua.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

«ROYAL EDWARD»

Paquete britânico que pertenceu, sucessivamente, às frotas das companhias Egyptian Mail Steamship (de 1907-1910, com o nome de «Cairo»),  e Northern Steamship (a partir de 1910, subsidiária da Canadian Northern Railway). Quando eclodiu a Grande Guerra este navio foi requisitado pelo almirantado, para o serviço de transporte de tropas. A sua construção foi da responsabilidade dos estaleiros Failfield Shipbuildind & Engineering Cº, de Govam (Escócia), que o lançaram ao mar em Julho de 1907. Apresentava-se como um navio de 11 117 toneladas de arqueação bruta, medindo 160,30 metros de comprimento por 18,40 metros de boca . A sua propulsão era assegurada por um sistema de turbinas a vapor acopladas a 3 veios, que, obviamente, movimentavam 3 hélices. Podia atingir uma velocidade de 19 nós. Enquanto transporte civil foi concebido para receber 1 114 passageiros (344 dos quais em 1ª classe) e, como tropeiro, cerca de 1 400 militares. Começou (sem sucesso comercial) na linha Marselha-Alexandria e, mais tarde, já sob as cores da companhia canadiana, foi para o Atlântico norte, assegurando ligações do Reino Unido com Montreal e Quebeque. O seu primeiro serviço como transporte militar ocorreu logo no início do conflito e o derradeiro consistiu na transferência de um contingente canadiano composto por 1 367 homens (oficiais incluídos), que deveria reforçar alguns dos efectivos britânicos a combater em Gallipoli, no Levante. O «Royal Edward» zarpou de Avonmouth a 28 de Julho de 1915 e, na manhã de 13 de Agosto chegou (depois de ter feito uma escala no porto egípcio de Alexandria) ao sítio -entre a Grécia e a Turquia- onde o esperava o submarino tudesco «UB-14»; que o alvejou com dois dos seus torpedos. O «Royal Edward», que navegava sem escolta, explodiu e afundou-se, pela popa, em apenas 6 minutos. Os primeiros socorros foram dispensados aos náufragos pelo navio-hospital «Soudan» (que se cruzara pouco antes com o transporte e fora poupado pelo submarino alemão), que conseguiu resgatar 440 homens em seis horas. Dois 'destroyers' franceses e alguns barcos de pesca locais salvaram mais 221 outras pessoas. Na hora de estabelecer o sinistro balanço do afundamento do «Royal Edward» deu-se pela falta de 864 homens (o que significa que o navio levava mais gente do que à sua partida do Canadá); isso segundo as contas feitas por uma das fontes mais credíveis.

«JUNON»

Submarino da marinha de guerra francesa pertencente ao tipo 'Standard Amirauté T2 Minerve'. Foi construído nos estaleiros Augustin Normand do Havre (ACH) em 1935 e acrescentado, oficialmente, à lista de unidades da armada gaulesa em 27 de Setembro de 1937. Deslocava 856 toneladas (em imersão) e media 68,10 metros de comprimento por 5,60 metros de boca De propulsão clássica, estava equipado com 2 máquinas diesel de 900 cv de potência unitária, para a navegação à superfície, e com 2 motores eléctricos desenvolvendo, cada um deles, uma força de 615 cv, utilizados em configuração de mergulho. O «Junon» estava armado com 1 canhão de convés de 75 mm, com 3 metralhadoras e com 6 tubos lança-torpedos de 550 mm. Quando deflagrou a 2ª Guerra Mundial, estava destacado na base militar de Oran (Argélia), passando depois para Casablanca e, posteriormente, para Cherburgo. Foi deste porto de guerra metropolitano, que, em Julho de 1940, ele foi rebocado para Plymouth, onde foi remetido às Forças Navais da França Livre, que se bateram contra a Alemanha nazi sob a égide do general De Gaulle. A sua grande acção durante o segundo conflito generalizado ocorreu em 1942 durante a campanha  da Noruega. Na qual o «Junon» -sob o comando do capitão Jean-Marie Querville, futuro almirante- se viu implicado numa audaciosa missão interarmas. Que envolveu membros da sua guarnição e resistentes noruegueses. Que receberam ordens para desembarcar (com o material adequado) no Glomfjord e para ali procederem à sabotagem da central que produzia a 'água pesada' que deveria servir ao fabrico da futura (e nunca realizada) bomba atómica dos hitlerianos. A operação decorreu sob grande tensão, devida às execráveis condições do tempo e à vigilância apertada das tropas alemãs. A evacuação de 2 noruegueses e de 2 franceses implicados na operação, não pôde efectuar-se de imediato, pelo facto da vigilância do inimigo se tornas muito perigosa. Escondidos e protegidos pela população local, estes homens permaneceram ali durante 4 longos meses e só seriam reembarcados pelo «Junon» no decorrer de uma outra rocambolesca operação. Avisados por rádio da volta do submarino francês, estes desceram uma colina -em esquis e a toda velocidade- embarcando no submersível, que emergiu na hora H e os recolheu rapidamente, antes de desaparecer nas águas escuras e profundas da Noruega. O «Junon» ainda voltou àquelas paragens, para nova missão secreta, em 1943. Depois da guerra, esta unidade serviu algum tempo como escola de escuta e como navio de instrução de marinheiros. Foi desmantelado em 1960.

«CAPELO»


Esta lancha-canhoneira da Armada Portuguesa fazia parte de uma série de navios ligeiros de 40 toneladas de deslocamento construídos em Inglaterra -nos estaleiros Yarrow- em finais do século XIX. As outras eram a «Ivens», a «Lacerda» e a «Serpa Pinto». A «Capelo» foi realizada em 1894 e terminou a sua actividade operacional no ano de 1908. Media 26,50 metros de longitude por 5,50 metros de boca. Concebida para operar em rios africanos submetidos ao regime sazonal de águas baixas, o seu calado era mínimo, não excedendo 0,50 metro. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor (horizontais) de alta pressão, desenvolvendo uma potência unitária de 36 hp; que lhe permitiam navegar à velocidade máxima de 8 nós. Dispunha de uma roda de pás à popa. Do seu armamento constavam : 2 peças de 47 mm e 2 canhões-revólver de 11 mm, para além das armas individuais dos atiradores de bordo. A lancha «Capelo» (e similares) tinha uma guarnição de 21 homens, entre oficiais, sargentos, praças e pessoal inferiormente qualificado. Foi destacada para servir no sul de Moçambique e esteve nomeadamente no rio Inharrime, que banha a província de Inhambane. Nela viajou, em 1895, o major Mouzinho de Albuquerque (que percorreu o Limpopo até à junção com o Changane) durante a campanha organizada contra os Vátuas do régulo Gungunhana; que foi capturado em Chaimite.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

«SANTA ROSA DE LIMA»


Também conhecido pelo sobrenome de «Dragón», este navio espanhol de 3ª classe (uma fragata) estava armado com 64 canhões. Foi construído, em 1737, nos arsenais de Havana, em Cuba, e esteve operacional nas esquadras do país vizinho até 1741. Pouco se conhece sobre a sua curta carreira na marinha de guerra espanhola, sabendo-se, no entanto que, em 1738 (com um ano de vida) foi colocado sob as ordens do capitão-de-fragata Francisco José de Ovando y Solís e incorporado na esquadra do tenente-general D. Blas de Lezo, que então estacionava em Cartagena de Indias, porto atlântico da actual República da Colômbia. Em 1741, este navio e a sua guarnição receberam instruções para capturar um corsário inglês, que assolava as costas da América espanhola; missão que foi cumprida com sucesso. O «Santa Rosa de Lima» (assim batizado em honra da primeira santa da América latina) ainda se encontrava em Cartagena de Índias quando essa praça fortificada foi atacada, em 1741, pela poderosa frota britânica do almirante Edward Vernon. Na urgência, o também chamado «Dragón» foi voluntariamente afundado pela sua guarnição às portas do porto militar, para impossibilitar a entrada dos navios inimigos. Nota : a ilustração anexada não mostra o «Santa Rosa de Lima», mas um veleiro espanhol do seu tempo e da sua categoria.

«TEJO»

Contratorpedeiro da Armada Portuguesa. Lançado à água em 1904 pelo Arsenal da Marinha (Lisboa), o «Tejo» foi o primeiro navio do seu tipo a ser construído em Portugal. A sua realização enquadrou-se num plano de reequipamento da nossa marinha militar, que ocorreu ainda no reinado de D. Carlos I. Era um navio polivalente, que podia operar, indiferentemente, como canhoneira, torpedeiro ou contratorpedeiro. Daí ter sido classificado, no início da sua vida activa, como 'canhoneira-torpedeira'. Este navio, que só terminaria os testes de mar em 1906, começou por usar a bandeira azul e branca da monarquia, só passando obviamente à verde-rubra depois da implantação da República; passou, desde logo a ostentar à proa a menção NRP «Tejo». Assim como o indicativo T. Em 1915, o navio entrou no estaleiro para sofrer alterações e saiu da doca seca em 1917 completamente renovado (com silhueta modernizada) e a merecer plenamente a classificação de contratorpedeiro. É evidente que, nessas circunstâncias, o «Tejo» não teve papel participativo na Grande Guerra. Mas, depois da já referida modernização, bateu um recorde de velocidade, que fez dele o navio mais rápido da nossa Armada. O «Tejo» deslocava 536 toneladas e media 70 metros de comprimento por 6,96 metros de boca e por 3,10 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas TE de 7 000 hp, força  que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 27 nós. Este navio estava armado, depois da renovação de 1917, com 1 canhão de 100 mm, 1 de 76 mm, 4 peças de 47 mm e com 2 tubos lança-torpedos. A sua guarnição era composta por 94 homens. O «Tejo» foi desmobilizado em 1927 e foi, depois disso, desmantelado. Notas : a ilustração anexada mostra o navio depois da sua modernização; a não confundir este «Tejo», com dois outros navios de nome idêntico, que serviram (posteriormente) na Armada Portuguesa.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

«ADMIRAL NAKHIMOV»

Paquete de bandeira soviética, que se chamou primitivamente «Berlin III», quando hasteou pavilhão alemão. Construído em 1925 pelos estaleiros Vulkan, de Bremen, pertenceu à companhia Norddeutscher Lloyd, que o colocou na sua linha da América do norte, que ligava os portos de Bremen e Nova Iorque, com escalas em Southampton e Cherburgo. Depois de ter rebentado a 2ª Guerra Mundia, foi retirado do serviço transatlântico e, depois de importante restauro, passou a servir o estado hitleriano enquanto navio de cruzeiros da 'Kraft Durch Freude' (Força pela Alegria) e, posteriormente, como navio-hospital. Nesta sua última versão, o «Berlin III» podia acolher 400 pacientes, para além das equipas médicas e, naturalmente, da sua tripulação. Operou, essencialmente, em águas do norte da Europa, onde também participou em operações de repatriamento de militares acossados pelo Exército Vermelho na frente de leste. Em 1945, depois de ter chocado com duas minas, foi abandonado numa praia próxima de Kiel. Capturado pelos russos, o navio foi restaurado (em 1949) e colocado à disposição da marinha mercante moscovita, que o integrou na frota do mar Negro. Foi então que recebeu o nome de «Admiral Nakhimov», um dos heróis russos da Guerra da Crimeia. Esteve implicado (no início dos anos 60) no transporte de armamento para Cuba, operação que envolveu vários navios de bandeira vermelha e provocou a famosa crise dos mísseis com a administração Kennedy. Mais tarde, especializou-se nos cruzeiros turísticos no mar Negro, fazendo o trajecto Odessa-Batumi e transportando -em cada uma das suas viagens- uma média de mil passageiros. Teve um fim trágico, quando, a 31 de Agosto de 1986, navegando entre Novorossiisk e Sotchi, colidiu com o cargueiro, também ele soviético, «Piotr Vasev»; que chegava à URSS com os porões cheios de cereal importado do Canadá. O choque (cuja responsabilidade foi imputada ao capitão do cargueiro) foi medonho e provocou no casco do paquete um rombo de 84 m2; por onde a água entrou e acabou por invadir a casa das máquinas. Centenas de passageiros (que eram 888 a bordo) e alguns membros de equipagem (que eram à volta de 350) ao verem o navio virar-se e soçobrar -o que aconteceu em apenas 7 minutos- atiraram-se ao mar, que rapidamente, se cobrira de combustível. Apesar da chegada célere de socorros (64 embarcações e 20 helicópteros), não foi possível salvar 423 pessoas, das quais 64 eram membros da tripulação. O «Admiral Nakhimov» apresentava 15 286 toneladas de arqueação bruta (depois dos trabalhos de restauro executados pelos soviéticos) e media 174 metros de comprimento por 21 metros de boca. A sua velocidade máxima era de 16 nós. Quando passou sob a autoridade de Moscovo, este navio foi integrado na frota (estatal) da Companhia de Navios do Mar Negro.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

«TEGETTHOFF»


O «TegetthofF» foi um couraçado do tipo 'Dreadnought' da armada Austro-Húngara. Foi realizado, em 1913 pelos estaleiros S.T.T., de Trieste e incorporado no dia 14 de Julho desse mesmo ano. Apresentava-se como um navio com 20 000 toneladas de deslocamento, medindo 152 metros de comprimento por 27,90 metros de boca. Fortemente blindado, a sua couraça podia atingir a espessura de 279 mm nos pontos mais sensíveis do navio : cinta, ponte de comando, torretas, etc. Do seu armamento principal faziam parte 12 canhões de 305 mm, 12 de 150 mm, 18 de 70 mm e 4 tubos lança-torpedos de 533 mm. As suas máquinas (equipadas com caldeiras Yarrow e turbinas a vapor) disponibilizavam uma potência de 27 000 cv, que lhe autorizavam uma velocidade máxima de 20,4 nós e uma autonomia de 4 200 milhas náuticas, com andamento limitado a 10 nós. O «Teggetthoff» tinha uma guarnição de 1 087 homens. O nome que lhe foi dado homenageava um almirante do século XIX, que derrotou os italianos na batalha naval de Lissa. A sua participação na Grande Guerra foi insignificante (devido ao excesso de prudência da armada imperial) e, depois de terminado o conflito, o «Tegetthoff» foi entregue, em Pola, às forças navais italianas como presa de guerra; forças navais que nunca o utilizaram (já que havia atingido um elevado grau de vetustez) e o mandaram para a sucata. Um dos seus canhões sobreviveu ao navio e foi integrado num Monumento aos Marinheiros, erigido na cidade de Brindisi. E o sino de bordo foi oferecido, em 1942,  por Benito Mussolini, à equipagem do cruzador nazi «Prince Eugen». Que, deveria ter-se chamado «Tegetthoff».

«REGAZONA»


A nau «Regazona» foi o maior de todos os navios que integraram a Invencível Armada. Nau que veio afundar-se, na sequência de uma tempestade, ocorrida em 8 de Dezembro de 1588 na ria do Ferrol (Galiza); depois de ter galhardamente afrontado os ingleses na batalha naval de Gravelines (8 de Agosto). Na qual participou na condição de capitânia da Frota do Levante, superiormente comandada por Martín Jiménez de Bertendona. Segundo informações (nem todas coincidentes), a «Regazona» deslocava à volta de 1 250 toneladas e media 36 metros de comprimento. Estava armada com 30 canhões de maior calibre e com várias peças de somenos importância. Da guarnição desta nau, faziam parte 80 marinheiros (enquadrados pelos respectivos oficiais) e 291 soldados. O seu nome faz referência ao seu proprietário, o veneziano Jacome Regazona, à qual terá sido fretada -pelo rei Filipe II- para participar na campanha contra a Inglaterra isabelina. Outras curiosidades à volta deste navio : os canhões da «Regazona» foram retirados do navio naufragado, indo reforçar as defesas da Corunha; onde foram fundamentais para rechaçar os ataques de Francis Drake em 1589. A batalha de Gravelines ainda hoje é apregoada pelos Ingleses como uma grande vitória da sua marinha. Pura propaganda, já que nenhum dos navios espanhóis contra os quais eles se bateram foi destruído ou capturado. A maqueta que ilustra este texto faz parte das colecções do Museu Naval de Madrid.

«LYDIA»


O «Lydia» foi um transporte de passageiros que, durante muito tempo, serviu numa linha regular entre Southampton e algumas ilhas do 'channel'. Foi construído, em 1890, num estaleiro de Clydebank (Escócia) pertencente à firma J. & G. Thompson. Apresentava-se como um navio de pequeno porte, com uma arqueação bruta de 1 059 toneladas, medindo 77 metros de comprimento por 10,70 metros de boca. O seu calado era de 4,50 metros. Estava equipado com 1 máquina a vapor, que lhe proporcionava uma velocidade de 19,5 nós. O seu primeiro armador foi (entre 1890 e 1929) a London and South Western Railway. Depois, teve mais seis outros proprietários-operadores, sendo o derradeiro deles (que o usou de 1929 a 1933) a companhia grega Hellenic Coast Lines, do Pireu; que lhe deu o nome de «Ierax» e que o utilizou em carreiras do continente para as ilhas dos arquipélagos mais chegados a Atenas. Quando foi lançado à água, o Lydia» estava preparado para receber 170 passageiros de 1ª classe, 70 de 2ª e um numero indeterminado de viajantes de porão. Este navio não tem incidentes de grande relevo no seu historial; a não ser o facto de -entre 1920 e 1922- ter sido destacado para assegurar uma linha entre a capital da Irlanda (Dublim) e a Grande-Bretanha e, antes disso, durante a Grande Guerra (em 1915), pelo facto de ter sido alvejado, com um torpedo, por um submersível alemão. Ataque ao qual o «Lydia» escapou ileso. Este navio foi desmantelado em 1933, muito provavelmente na Grécia.

domingo, 30 de julho de 2017

«LEONARDO DA VINCI»


Couraçado italiano da classe 'Conte di Cavour', com vida operacional (não muito activa) durante o primeiro conflito generalizado. Foi construído -com desenho do engenheiro naval Edoardo Masdea- pelos estaleiros Ansaldo, de Génova, que o lançaram à água no dia 14 de Outubro de 1912. Mas só em 1914 foi integrado, oficialmente, nos efectivos da 'Regia Marina'.  Deslocava 25 086 toneladas em plena carga e media 168,90 metros de comprimento por 28 metros de boca. O seu calado cotava 9,40 metros. O seu sistema propulsivo apoiava-se em maquinaria dispondo de 20 caldeiras a vapor (desenvolvendo 31 000 cv de potência) acoplada a 4 hélices. Podia navegar à velocidade máxima de 21,5 nós e a sua autonomia era de 4 800 milhas náuticas com velocidade reduzida a 10 nós. Estava razoavelmente blindado e do seu armamento constavam 13 canhões de 305 mm, 18 de 120 mm, 22 de 76 mm e 3 tubos lança-torpedos de 450 mm. Tinha uma guarnição de cerca de 1 000 homens. O seu uso durante a Grande Guerra foi relativamente frouxa, devido à passividade do inimigo directo da marinha militar italiana : as forças navais do império Austro-Húngaro. O acto mais relevante da vida deste couraçado, ocorreu (no porto de Tarento (onde tinha a sua base) no dia 2 de Agosto de 1916, quando, a bordo, se deu uma terrível explosão, que ceifou a vida a 249 membros da tripulação. As causas desse rebentamento nunca foram esclarecidas, mas o estado-maior da 'Regia Marina' atribuiu-as a sabotagem dos Austro-Húngaros. Só depois de ter terminada a guerra, em Agosto de 1919, é que o navio entrou no estaleiro para sofrer reparações; que logo foram abandonadas. E o couraçado «Leonardo da Vinci» acabou para seguir para o ferro-velho em 1923, ano em que começou o seu desmantelamento.

«EUROPE»

Escuna de 3 mastros e com casco em madeira que, sob bandeira francesa, usou o nome de «Europe» e foi utilizada no transporte de carga diversa e na pesca do bacalhau. Este veleiro -com 356 toneladas de arqueação- foi construído em 1888 no estaleiro Stiansen, de Arendal (Noruega), e, durante muito tempo, fez campanhas de pesca longínqua nos Grandes Bancos da Terra Nova. Pouco mais se sabe sobre este navio, que (em França) pertenceu, sucessivamente, aos armadores Viúva A. Ladiray, de Fécamp, e Gustave Gauthier, de Sables-d'Olonne. Em Setembro de 1916, este veleiro seguia -sob as ordens do capitão Gustave Joly- de Cardiff para Nantes com um carregamento de carvão proveniente das minas galesas. No dia 9 do citado mês, o «Europe» foi interceptado pelo submarino germânico «UB-39» -que se encontrava sob o mando do 1º tenente Heinrich Küstner- a 30 milhas Oeste noroeste da ilha de Sein. Depois de ter enviado a bordo uma equipa de inspecção munida com bombas incendiárias, o oficial alemão intimou a equipagem do veleiro (maioritariamente constituída por marítimos de Fécamp) a embarcar em duas baleeiras e a afastar-se do «Europe». Que, em breve, se transformou numa gigantesca tocha, antes de se afundar nas profundezas do Atlântico. Não houve mortos a lamentar neste episódio da Grande Guerra e que se desenrolou segundo um plano há muito usado pelos submarinistas do 'kaiser'; que só usavam torpedos para afundar navios de guerra ou presas mercantes de muito maior porte. Nota : a ilustração que aqui se publica não representa o «Europe», mas, isso sim, um navio do seu tipo.

«ISIS»

Contratorpedeiro da marinha real britânica pertencente à classe 'I'. Foi construído, em 1936, pelos estaleiros Yarrow & Co, de Glásgua. Deslocava 1 370 toneladas e media 98,50 metros de comprimento por 10,10 metros de boca. Tinha uma guarnição variável, que podia ultrapassar os 150 homens. Baptizado com o nome de uma deusa da mitologia egípcia, o HMS «Isis» estava equipado com um sistema propulsivo que desenvolvia uma potência de 34 000 shp, força que lhe proporcionava uma velocidade máxima de 35,5 nós e uma autonomia de 5 500 milhas náuticas. Do seu armamento principal constavam 4 canhões de 120 mm, 2 reparos (quádruplos) de metralhadoras de 12,7 mm, tubos lança-torpedos de 533 mm e rampas de lançamento de cargas de profundidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, o D87 (seu indicativo de amura) participou nas operações de evacuação da Grécia -em Abril de 1941- e, nesse mesmo ano, foi alvejado (ao largo de Haifa) por um bombardeiro Ju-88, que lhe causou avarias. Em 13 de Fevereiro de 1943, perto da costa líbia atacou e afundou (com outras forças britânicas) o submarino alemão «U-562». Mas teve um fim trágico, não sobrevivendo ao conflito. Com efeito, no dia 20 de Julho de 1944, quando se encontrava implicado numa missão no litoral normando, o «Isis» explodiu e afundou-se rapidamente. No seu naufrágio pereceram 11 oficiais (encontrando-se, entre eles, o comandante do navio) e 143 marinheiros. O desastre ocorreu por volta das 18 horas, mas só às 2 da manhã do dia seguinte se soube da tragédia; quando, por acaso, o 'destroyer' HMS «Hound» resgatou uma vintena de sobreviventes do «Isis». Pensou-se, durante muito tempo, que o navio afundado tivesse sido torpedeado, mas verificou-se, depois, que, naquele funesto dia e àquela hora, nenhum submersível inimigo estivera em operações na zona do soçobro. Hoje, pensa-se que a causa mais provável do naufrágio do navio britânico tenha sido o choque com uma mina. Nota : na ilustração anexada, o «Isis» é o navio em primeiro plano.

terça-feira, 18 de julho de 2017

«LA CURIEUSE»

Pequeno veleiro de bandeira francesa (aparelhado ora como um 'ketch', ora como uma escuna), que deixou o seu nome ligado à exploração científica das ilhas (pré-antárcticas) Kerguelen. O veleiro «La Curieuse» apresentava 75 toneladas de arqueação bruta e media 20,75 metros de comprimento. Foi construído, em 1911, no estaleiro de Léon Lefèvre, de Boulogne-sur-Mer com desenho original do arquitecto naval G. Soé. Dispunha de motor auxiliar. Durante a segunda expedição ao arquipélago Kerguelen levada a cabo por Raymond Rallier du Baty, esta pequena embarcação navegou com uma equipagem de, apenas, 7 homens, incluindo o chefe de expedição. «La Curieuse» fez-se ao mar a 16 de Julho de 1912, para realizar uma viagem (patrocinada pelo Museu de História Natural e pelo Ministério da Educação Pública), que deveria durar 5 anos; e que serviria para completar os trabalhos executados aquando de um precedente cruzeiro às mesmas ilhas, feito com o suporte de um outro navio. Antes de atingir o seu objectivo (as Kerguelen), este veleiro escalou vários portos, nomeadamente o do Funchal. «La Curieuse» chegou ao seu destino final a 22 de Outubro de 1913, onde realizou um trabalho de grande interesse científico; mas interrompeu a sua actividade, quando  Rallier du Baty tomou conhecimento do estado de guerra entre o seu país, a França, e a Alemanha Imperial. Essa tomada de decisão foi feita em sintonia com os outros membros da expedição, pois alguns deles (incluindo o chefe) decidiram alistar-se nas forças armadas para combater o 'kaiser' e os seus exércitos. A embarcação em apreço ficou-se por Sidney, na Austrália, desconhecendo o escriba de serviço qual terá sido o seu destino.

«HIGHLAND HOPE»

Paquete de bandeira britânica, pertencente à frota da companhia Nelson Line; que foi fundada em 1880 com o primeiro intuito de explorar o negócio de transporte de carne congelada da Argentina para os mercados europeus. Construído nos estaleiros da firma Harland & Wolff de Belfast (Irlanda do Norte) em 1930, o «Highland Hope» era um navio que também transportava correio e passageiros. Neste último domínio, refira-se que tinha capacidade para receber a bordo mais de 700 pessoas, que eram, na sua quase generalidade, emigrantes com destino ao Brasil e à Argentina. A sua arqueação bruta era de 14 129 toneladas e o navio media 159 metros de comprimento por 21,20 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas diesel, desenvolvendo uma potência de 2 190 nhp, que lhe permitia avançar à velocidade de cruzeiro de 16 nós. O «Highland Hope» foi colocado numa linha que ligava Londres a Buenos Aires, com escalas nos portos de Boulogne-sur-Mer, Vigo, Lisboa (acessoriamente) e Rio de Janeiro. No dia 19 de Novembro de 1930, quando ainda não completara 1 ano de serviço, este paquete britânico (com 550 passageiros e tripulantes a bordo) foi despedaçar-se contra os Farilhões -perto de Peniche- devido ao nevoeiro e, ao que tudo indica, a um grosseiro erro de navegação. Alertados pelo tremendo estrondo provocado pelo encalhe, os penicheiros que por ali pescavam nas suas frágeis embarcações, dirijiram-se para o lugar do sinistro, logrando salvar todos os náufragos. Acto que seria, mais tarde, reconhecido e recompensado com diplomas e medalhas pelo governo de Sua Majestade. O navio, considerado irremediavelmente perdido, pelo armador e respectiva companhia de seguros, foi depois pilhado pelos pescadores locais, que dele sacaram objectos de pequena dimensão, que ainda hoje existem e são mostrados como troféus. Um empresa de salvados recuperaria, quando as condições do mar lhe permitiram o acesso à carcaça do malfadado «Highland Hope», metais não ferrosos e outros materiais com algum valor comercial. De modo que aquilo que hoje resta do navio (que já passou cerca de 90 anos no fundo do mar) é pouca coisa (um amontoado de chapas e ferros retorcidos), que apenas representa um espólio para os arqueólogos subaquáticos e para os curiosos da História Marítima. Curiosamente, o navio que foi mandado construir para substituir o navio aqui em apreço, foi, também ele, vítima de um destino infeliz. Com efeito, o «Highlant Patriot» foi afundado -no dia 1 de Outubro de 1940- pelo submarino alemão «U-38». Só que aqueles que nele viajavam não tiveram a mesma sorte dos que se encontravam a bordo do seu predecessor. 140 morreram...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

«VENTUROSO»


Lugre português de 4 mastros e com casco de madeira, construído em 1919 num estaleiro de Vila do Conde pelo mestre carpinteiro Jeremias Martins Novais; que era membro de uma família de afamados construtores navais do norte do país, responsável pela realização de numerosos e excelentes navios à vela. O «Venturoso» pertenceu à Sociedade Comercial de Navegação, Lda., com sede no Porto. A rara informação existente sobre este navio, apenas refere que apresentava 413 toneladas de arqueação líquida (TAL) e que nunca usou motor auxiliar. São igualmente conhecidos os nomes dos seus dois capitães : José Cochim (que passou pelo navio em apreço entre 1919 e 1921) e José Ançã (que o terá governado entre 1922 e 1923). Este quase misterioso navio perdeu-se num também pouco documentado naufrágio, que ocorreu em pleno oceano Atlântico, quando o «Venturoso» navegava de Belém do Pará, para a Cidade Invicta. Nada se sabe sobre a existência de eventuais sobreviventes ao soçobro do navio. Mas depreende-se, pela data da morte do seu capitão, que este terá sido uma das vítimas do afundamento do lugre. A foto aqui anexada é de autor desconhecido. Foi apresentada (julgo que pela primeira vez) no excelente blogue «Navios à Vista», ao qual pedimos desde já a sua indulgência por esta bem intencionada usurpação e apresentamos melhores comprimentos. Mas também ela (a foto) é polémica, pois não há certezas de que, realmente, represente o «Venturoso».

sábado, 15 de julho de 2017

«P. R. HAZELTINE»


O veleiro «P. R. Hazeltine» (uma galera de 3 mastros com casco em madeira) foi construído em 1876 nos estaleiros Carter C. P. & Company, de Belfast, no estado norte-americano de Maine. O seu único armador foi a firma Ezekiel H. Herriman, da mesma cidade. Que perdeu este navio aquando da sua viagem inaugural, que começou Liverpool (Nova Iorque, a não confundir com o porto britânico homónimo) e tinha como destino São Francisco da Califórnia. Transportava carga diversa. Nesse tempo, a passagem para o oceano Pacífico fazia-se obrigatoriamente pela rota do cabo Horn, reputado pelas dificuldades que causava mesmo aos capitães e marinheiros mais experimentados. Foi por ali que este veleiro se perdeu, depois de se ter esventrado contra os recifes da ilha Wollaston, pertencente à República do Chile. Grande parte da carga deste novo veleiro estadunidense foi salva (graças ao bom estado do tempo) e toda a equipagem e passageiros do «P. R. Haxeltine» se salvou com recurso às baleeiras de bordo. Depois de terem rumado ao canal de Le Maire, os náufragos foram resgatados pelos navios «Sonoma» e «Gustave» (também eles veleiros) e deixados em porto seguro. O naufrágio da galera americana ocorreu no dia 25 de Agosto de 1876. Curiosidade : a tela que aqui representa o navio em apreço é da autoria do artista Percy A. Senborn.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

«SÃO GABRIEL»

Cruzador de 3ª classe da Armada Portuguesa. Foi encomendado, ainda nos tempos da monarquia e ao mesmo tempo que o seu gémeo «São Rafael», para cumprir os planos de modernização da nossa frota de guerra delineados pelo então ministro Jacinto Cândido. Foi construído em França, na cidade do Havre, pelos estaleiros da firma Forges et Chantiers du Havre (Augustin Normand), que o botaram ao mar no ano de 1900. Era um belo navio protegido por uma coberta couraçada de 35 mm, que deslocava 1 850 toneladas. Media 75 metros de comprimento por 10,80 metros de boca por 4,35 metros de calado. O sistema de propulsão deste cruzador era constituído por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, que desenvolviam 3 000 cv e que podiam conferir ao navio 16 nós de velocidade máxima. O «São Gabriel» estava armado (artilharia principal) com 2 canhões de 150 mm, com 4 de 120 mm, com 8 de 75 mm e com 1 tubo lança-torpedos posicionado à proa. Tinha, inicialmente, mastros aparelhados com velas, como ainda era de uso na época da sua realização. Recebeu, já depois de ter sido recepcionado pela Armada, aparelhagem TSF. Teve a sua base em Lisboa. A coroa de glória do «São Gabriel» advém-lhe do facto de ter sido o primeiro navio português a ter realizado uma circum-navegação do globo (entre 11 de Dezembro de 1909 e 19 de Abril de 1911) e através de uma rota reconhecidamente difícil, que passou pelo estreito de Magalhães e pelos canais da Patagónia. A dita viagem durou 16 meses e 9 dias, tendo o navio percorrido cerca de 42 000 milhas náuticas (durante as quais afrontou um tufão nos mares da China) e visitado 72 portos nacionais e estrangeiros. Repare-se que o navio partiu de Portugal quando por cá ainda reinava D. Manuel II e que regressou à base já depois de instaurada a República. A viagem decorreu sem incidentes, já que, durante esse longo périplo, não ocorreram a bordo nem mortes, nem feridos, nem sequer houve doenças de membros da guarnição. Este cruzador, que não teve papel relevante durante o primeiro conflito generalizado, foi abatido do serviço activo em 1924, quando já era um navio obsoleto.

«GALGO»

Esta minúscula embarcação entrou na História naval durante os anos quentes da Grande Guerra, ao prestar serviço para a nossa Armada nas águas do Algarve. Era um rebocador pertencente à firma Júdice Fialho & Companhia, registado no porto da então Vila Nova de Portimão, que a autoridade marítima requisitou (em finais de Setembro de 1916) e transformou em patrulha armado. Para tanto, recebeu artilharia (1 canhão-revólver Hotchkiss de 37 mm) e a sua tripulação foi reforçada com elementos da marinha de guerra. Entre os quais figurava o 1º tenente Alberto Carlos dos Santos, que assumiu o comando. A missão do «Galgo» consistia na vigilância da costa algarvia, entre o cabo de São Vicente e Lagos. O «Galgo» fora construído nos estaleiros Ross & Duncan, de Glásgua, em data não apurada e renovado em Lisboa no ano de 1911. Deslocava 83 toneladas (em plena carga) e media 27,10 metros de comprimento fora a fora por 5,18 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina de origem inglesa desenvolvendo uma potência de 75 cv, que lhe imprimia uma velocidade máxima de 10 milhas/hora. Foi o único 'navio' da Armada Portuguesa que, durante aquele devastador conflito e com os seus limitados meios, ousou opor-se à acção do submarino germânico «U-35» (comandado pelo famoso e temível capitão-tenente Lothar von Arnauld de la Perière), que afundou quatro navios dos Aliados só na zona de Sagres. Foi também o modesto «Galgo» e a sua corajosa tripulação de 15 homens, que lograram resgatar (com vida) ao oceano muitos dos náufragos dos cargueiros destruídos pelo supracitado submersível. Largas dezenas. O «Galgo» foi desmilitarizado pela Armada em 1918 e posteriormente devolvido ao seu legítimo proprietário. Desconhece-se quando e em que circunstâncias deixou de navegar. Curiosidade : as instâncias nacionais e internacionais protegeram os restos dos navios afundados ao largo do promontório de Sagres, transformando essa zona numa espécie de 'santuário', que a UNESCO já classificou, aliás e segundo a imprensa, como património da Humanidade.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

«HAR ZION»

Este navio (um cargueiro) foi lançado à água em 1907 pelos estaleiros Burmeister & Wain Maskin, de Copenhague; que o construíram para satisfazer uma encomenda do armador (também ele dinamarquês) Det Ostasiatiska. Armador que o utilizou até 1913, com o primitivo nome de «St. Jan». Passou depois por várias mãos, inclusivamente pelas do governo dos EUA (que se se serviu dele, entre 1918 e 1919, para repatriar alguns dos seus militares que haviam combatido em França, durante a Grande Guerra), e usou variadas bandeiras. Para além de também ter ostentado o nome de «Nikerie», este navio ainda viu pintado no seu casco o nome de «Risveglio». Após ter navegado, pois, sob bandeiras dinamarquesa, norte-americana, neerlandesa (anos 30) e italiana, este cargueiro foi vendido, em 1935, a um armador judeu, proprietário da companhia Palestine Maritime Lloyd Ltd., que o registou na Grã-Bretanha e que para o navio requereu pavilhão desse país. Vocacionado para o transporte de carga geral, o agora chamado «Har Zion» esteve algum tempo a operar entre o futuro estado de Israel e os portos do mar Negro, implicado num negócio de troca de frutos (especialmente citrinos) por madeiras, animais vivos, etc. No início da 2ª Guerra Mundial, o «Har Zion» passou a navegar no oceano Atlântico. A sua derradeira viagem desenrolava-se entre Liverpool e Savannah, quando transportava para esta cidade da Geórgia (EUA) um carregamento de álcool e de fertilizantes. Seguia integrado no comboio OB-205 (devidamente protegido por navios de guerra da 'Royal Navy'), quando foi surpreendido -ainda em águas europeias- pelo submarino inimigo «U-38»; que o torpedeou e afundou. Dos seus 37 tripulantes, só um escaparia com vida ao soçobro do navio. Este facto ocorreu em data de 31 de Agosto de 1940. O «Har Zion» apresentava as seguintes características : 2 508 toneladas de arqueação bruta; 98,90 metros de comprimento por 12,40 metros de boca por 5,84 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina a vapor de tripla expansão (com veio acoplado a 1 hélice) desenvolvendo uma potência de 1 450 hp. Força que lhe transmitia uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 11 nós. Curiosidade : aqui há uns anos, a administração postal israelita emitiu um selo homenageando este navio e a sua tripulação.

domingo, 9 de julho de 2017

«HAVHINGSTEN FRA GLENDALOUGH»


Este navio -lançado ao mar em 2004 e cujo nome significa, na nossa língua, 'garanhão marinho de Glendalough'- é a réplica (à escala 1/1) de um drakkar Viking achado, em 1972, no fiorde de Roskilde e conhecido , no Museu dos Navios Vikings dessa localidade dinamarquesa, onde está exposto, pelo nome de «Skuldelev 2»; que data, segundo os peritos, do ano de 1042 da era cristã. A réplica foi construída na Dinamarca, segundo os métodos usados na Idade Média e com materiais não muito diferentes dos utilizados nessa recuada época. Considerado muito próximo do original que lhe serviu de modelo, este drakkar (navio de guerra dos antigos escandinavos) desloca 9,6 toneladas e mede 29,26 metros de comprimento por 3,80 metros de boca. O seu calado é inferior a 1 metro. Dispõe, naturalmente, de um único mastro (que culmina a 14 metros) , que está equipado com uma vela com 112 m2 de superfície., Está, igualmente, equipado com vários remos, que são accionados por alguns dos 60 homens que o navio pode receber a bordo. Quando não está fundeado no seu porto de abrigo (Roskilde), esta cópia de embarcação antiga é usada por cientistas (estudiosos dos Vikings e dos seus navios) e/ou navega nos fiordes locais em cruzeiros de formação para jovens e menos jovens. Já visitou todos os países da Escandinávia e regiões limítrofes e, em 2007, empreendeu uma expedição até Dublin (na actual República da Irlanda), onde despertou grande curiosidade.

domingo, 2 de julho de 2017

«NIOBE»

Depois de ter servido na 'Royal Navy' e de ter indirectamente participado na 2ª Guerra dos Boers, desembarcando homens e material bélico na África do Sul, o «Niobe» -um cruzador protegido da classe 'Diadem'- foi integrado na armada do Canadá; constituindo com o «Rainbow» o primeiro grupo de navios de combate da marinha militar desse grande país. O «Niobe» foi construído, em 1898, pelos estaleiros navais da Vickers em Barrow-in-Furness. Era um navio de 11 000 toneladas de deslocamento, medindo 141 metros de longitude por 21 metros de boca e com um calado de 7,77 metros. Movia-se pela força (20 000 cv) de 1 máquina a vapor de tripla expansão, accionando 2 hélices. A sua velocidade máxima atingia os 20 nós. Do seu armamento principal constavam 16 canhões de 152 mm, 17 outras peças de menor calibre e 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. Tinha uma guarnição de 677 homens (oficiais incluídos) e a sua base situava-se em Halifax, na província litorânea da Nova Escócia. Depois de um incidente de navegação, que imobilizou o navio (por encalhe e durante 18 longos meses), o «Niobe» teve a oportunidade de participar nos combates do primeiro conflito generalizado : a chamada Grande Guerra. Para tanto, foi reintegrado na 'Royal Navy', que o mandou patrulhar costas sensíveis, durante 12 meses. Devido à sua vetustez, o navio foi retirado da primeira linha e regressou a Halifax, onde chegou em meados do ano de 1915; e onde passou a servir -até ao fim do conflito- como quartel-general. Uma parte dos seus marinheiros pereceu na terrível e mortífera catástrofe de Halifax de 1917, provocada pela explosão do navio francês «Mont Blanc». Depois disso, sem utilidade prática, acabou a sua carreira a funcionar como simples depósito de material. Em 1920, o «Niobe» foi desarmado e, dois anos mais tarde, em 1922, foi conduzido a Filadélfia, nos Estados Unidos, par ali ser desmantelado.

«CABO DE BUENA ESPERANZA»

Navio espanhol de utilidade mista (passageiros/carga). Navegou sob pavilhão ibérico ('bandera oro y sangre') desde 1940, ano em que, depois de ter sido adquirido nos Estados Unidos pela Ybarra y Cia., tomou o nome de «María del Carmen». Por muito pouco tempo, já que, ainda nesse mesmo ano, passou a chamar-se, dessa vez definitivamente, «Cabo de Buena Esperanza». Este navio nasceu nos estaleiros da firma Shipbuilding Corporation, de Camden, Nova Iorque, em 1920, onde foi baptizado com o nome original de «Hoosier State». Tomou, em 1922,, o seu último nome americano de «President Lincoln». Pertenceu, primitivamente, à frota da companhia Dollar Steamship Company, sendo transferido posteriormente para a American President Line. Foi o primeiro paquete a operar na carreira regular San Francisco-Manila. Após a sua transferência para a Europa e de ter sido registado em Sevilha, o «Cabo de Buena Esperanza», foi colocado na linha da América do Sul, servindo Barcelona (cidade de partida da carreira), Cádiz, Santa Cruz de Tenerife, La Guaira, Curaçau, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires. Assim chamado em honra do promontório descoberto, em fins do século XV, pelo navegador português Bartolomeu Dias, este navio teve uma vida mais ou menos tranquila, apesar de ter feito muitas travessias transatlânticas durante os anos perigosos da 2ª Guerra Mundial. Dois factos marcantes inscrevem-se no seu historial : nos anos 40, em pleno oceano Atlântico, o «Cabo de Buena Esperanza» resgatou um hidroavião do couraçado HMS «Malaya» e respectiva tripulação, desembarcando aparelho e homens (são e salvos) em Santa Cruz de Tenerife. E, em 1946, coube-lhe a suprema honra de transferir para território espanhol os restos mortais do grande compositor e músico Manuel de Falla, que havia falecido na Argentina. O navio em apreço apresentava, na sua fase final, as seguintes características : 12 594 toneladas de arqueação bruta; 170,28 metros de comprimento por 32,82 metros de boca por 7,62 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por um sistema propulsivo (equipado com 4 turbinas a vapor) que desenvolvia uma potência de 13 200 hp e que lhe proporcionava uma velocidade máxima de 17 nós. A sua tripulação era constituída por 206 membros; que estavam ao serviço dos 560 passageiros (300 em 1ª classe) que o navio podia transportar. O «Cabo de Buena Esperanza» foi desmantelado em 1958 num estaleiro especializado do porto de Barcelona. Deixou muitas saudades àqueles que o utilizaram, mormente aos milhares de emigrantes europeus que nele embarcaram para se fixar em vários países da América do Sul.

«BOURBAKI»

Veleiro francês de 3 mastros (barca) e casco de aço lançado à água em 1898 pelos Ateliers et Chantiers de la Loire, de Nantes, para os armadores R. Guillon & R. Fleury da mesma cidade. Era um navio de 2 297 toneladas de arqueação bruta, medindo 79,54 metros de comprimento por 12,26 metros de boca. O seu calado cotava 6,20 metros. A superfície do seu velame era de 2 631 m2. Durante várias décadas assegurou o transporte de fosfatos (Nantes foi o primeiro porto francês importador desse produto) entre os portos chilenos e a cidade-natal de Júlio Verne, via cabo Horn. Mas chegou a operar noutros percursos. Em 1935, altura em que os grandes veleiros já haviam sido suplantados pelos navios a vapor, o obsoleto «Bourbaki»  foi adquirido pela sociedade local Neptune (pertença de negociantes de ferro velho), desarvorado, equipado com uma grua e transformado em batelão transportador de restos de navios desmantelados. Estava ancorado -no dia 19 de Dezembro de 1938- à entrada de Port Haliguen (situado na península de Quiberon), quando foi afundado por terrível tempestade. Presumo que a este navio tenha sido dado o nome de Charles Denis Bourbaki, um general dos exércitos de Napoleão III.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

«KONING DER NEDERLANDEN»

Couraçado da armada neerlandesa construído em finais do século XIX (1877) no estaleiro Rijkswerf de Amesterdão. Era um navio com um deslocamento de 5 400 toneladas, medindo 81,80 metros de longitude por 15,20 metros de boca. O seu calado atingia (em plena carga) os 6 metros. O seu sistema propulsivo (2 máquinas a vapor e 7 caldeiras) desenvolvia um potência de 4 630 cv, força que lhe permitia atingir uma velocidade de 12 nós. Podia carregar 630 toneladas de carvão e a sua autonomia ficava dependente do consumo (mais ou menos pródigo) desse combustível sólido. A sua cinta estava blindada com chaparia de 150/200 mm e nos pontos mais sensíveis a sua couraça podia exceder os 300 mm de espessura. Do seu armamento inicial constavam 4 canhões de 280 mm, 2 peças de 120 mm e um canhão-revólver de 37 mm. O «Koning der Nederlanden», que aquando da sua integração na marinha de guerra batava, era o seu maior navio, tinha uma guarnição de 256 homens, incluindo oficiais. Em finais do século, já completamente ultrapassada, esta unidade passou a exercer funções de navio-quartel e foi enviada para Surabaia, na actual Indonésia, então colónia dos Países-Baixos. O antiquado navio sobreviveu até 1942, até ao momento em que se travou a batalha de Java, e foi afundado pelo sua própria equipagem, para que não caísse nas mãos do invasor japonês. A imagem anexada mostra o navio em apreço no início da sua vida activa. E ainda apresentando os seus 3 mastros de origem mais o respectivo velame.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

«SIRIO»

Paquete da companhia Navigazione Generale Italiana. Foi construído nos estaleiros navais da firma Robert Napier & Sons, de Glásgua (Escócia), que o lançaram à água em 1883. Deslocava 4 141 toneladas e media 129 metros de comprimento por 14 metros de boca. A sua máquina a vapor desenvolvia uma potência de 5 323 cv, que lhe conferiam uma velocidade máxima de 18 nós. Podia receber, oficialmente, uns 1 300 passageiros. Todas estas características faziam deste navio o orgulho da marinha mercante italiana de fins do século XIX  e transição para a centúria seguinte. Foi colocado pelo seu armador na rentável linha da América do Sul, para onde convergiam, nesse tempo, muitos milhares de emigrantes transalpinos, mas também espanhóis e de outras nacionalidades. A rota do «Sirio» começava em Génova (onde o navio estava matriculado) e passava por Barcelona, Cádiz, arquipélagos das Canárias e de Cabo Verde, antes de escalar Rio de Janeiro, Santos e Buenos Aires. Na viagem fatídica de Agosto de 1906, este paquete (que embarcara 620 passageiros na origem e 75 outros na capital da Catalunha) navegava em águas calmas, nada pressagiando que, no dia 4 (por volta das 16 horas), se fosse enfeixar nuns recifes da costa espanhola, existentes nas imediações do cabo de Palos, perto de Cartagena. O navio italiano levou algum tempo a resistir às golfadas que haveriam de o engolir totalmente, o que permitiu a algumas embarcações espanholas navegando naquele lugar do Mediterrâneo ocidental de o abordar e de salvar algumas centenas de náufragos. De referir (entre outras) a intervenção do vapor «Joven  Miguel», ao qual se atribui o resgate de umas 200 pessoas. Mas o essencial dos passageiros (alguns não contabilizados por serem clandestinos) e tripulantes do «Sirio» terminaram ali as suas vidas, Números oficiais do município de Cartagena apontaram para 242 mortos, mas esses números revelaram-se ultrapassados e fontes mais credíveis (embora extraoficiais) referem entre 400 e 500 vítimas. A catástrofe provocou uma verdadeira onda de solidariedade no sul de Espanha, onde a população socorreu os sobreviventes do «Sirio» com víveres e agasalhos, com dinheiro proveniente da receita de espectáculos e até com a oferta de adopção de órfãos. No soçobro do navio morreram algumas celebridades, tais como a cantora de 'zarzuelas' Lola Millajes e o bispo de São Paulo (Brasil). Referentemente a esta última personagem, disse-se que deu a sua bênção a muitos dos que iriam morrer. O grande pintor brasileiro Benedito Calixto até imortalizou essa atitude do bispo numa das suas telas (conservada no Museu de Arte Sacra de São Paulo), a que deu o título «O Naufrágio do Sirio».

quinta-feira, 15 de junho de 2017

«LAGOS»

Navio de transporte de passageiros utilizado na travessia entre o Barreiro e Lisboa-Terreiro do Paço. Pertenceu à famosa série de embarcações do tipo dito 'Viana do Castelo', pelo facto de todas elas (em número de 6) terem sido construídas nos estaleiros navais daquela cidade minhota. Os seus armadores foram, sucessivamente, a CP e, já em fins da sua vida em águas nacionais, a Soflusa. O «Lagos» foi construído em 1970 e, nesse mesmo ano, começou a operar regularmente no estuário do Tejo. Apresentava uma arqueação bruta de um pouco mais de 700 toneladas e media 50 metros de longitude por 9,52 metros de boca. Podia transportar 1 022 passageiros -em condições de tempo normais- distribuídos por três classes distintas. Estava equipado com uma máquina diesel de origem alemã (MAN), que lhe facultava uma velocidade de cruzeiro de 13 nós. O que lhe permitia percorrer o trajecto onde se manteve largos anos (até inícios do século XXI) em 25 minutos. Depois de ter sido retirado do serviço activo e substituído (como os seus congéneres por modernos catamarãs), o «Lagos» esteve algum tempo atracado ao cais da Siderurgia Nacional (no rio Coina), à espera do seu desmantelamento. O que acabou por não acontecer, visto, ter sido adquirido por um armador de São Tomé e Príncipe. Que o denominou «Liliana Carneiro» e o empregou numa linha de transporte de passageiros e frete entre aquela antiga colónia portuguesa e Libreville, no Gabão. No seu historial recente, está registado o facto de ter sido assaltado, em 2010, por piratas nigerianos. Posteriormente resgatado, este antigo navio da frota dos Caminhos-de-Ferro Portugueses continua a navegar e usa, agora, pavilhão da República dos Camarões.

sábado, 3 de junho de 2017

«CAPITÂNIA»

Este navio -uma galé- é geralmente referido na lista de vasos de guerra portugueses que participaram, no seio da malfadada Invencível Armada, no ataque lançado -em meados de 1588- por Filipe II (o nosso Filipe I) contra a Inglaterra isabelina. Sabe-se que foi construído num estaleiro nacional, mas não há (ao que julgamos saber) informação específica sobre a sua tonelagem, dimensões e demais características físicas. Estava armado com 5 canhões e pertenceu, aquando do referido evento, a uma esquadra de galés -da qual terá sido capitânia, daí o nome pelo qual é conhecido- colocada sob as ordens de D. Diego de Medrano. Naufragou, em data incerta do mês de Junho daquele ano de 1588, no golfo de Biscaia, ao largo da cidade francesa de Bayonne. Foi um dos vários navios portugueses do seu tipo -já algo ultrapassado e pouco adaptado à navegação nos mares que circundam as ilhas britânicas- que foram mobilizados contra os 'hereges protestantes' e que, depois da derrota sofrida, deixaram o campo livre para que a Inglaterra passasse a assumir a liderança das nações de vocação marítima. A imagem aqui anexada mostra um navio português do tipo e do tempo da galé «Capitânia».

quarta-feira, 31 de maio de 2017

«CHARLES GOUNOD»

Este veleiro francês -que recebeu o nome de um grande compositor parisiense do século XIX- era uma barca de 3 mastros; que foi lançada à água no ano de 1900 pelos Ateliers et Chantiers de la Loire, de Saint Nazaire. Matriculado em Nantes, apresentava-se como um navio com 2 199 toneladas de arqueação bruta, medindo 85,30 metros de comprimento por 12,30 metros de boca. Pertenceu à frota do armador Norbert & Guillon. A sua celebridade adveio-lhe do facto de se ter cruzado -no dia 21 de Janeiro de 1917- quando o mundo sofria as agruras da Grande Guerra, com o temível corsário alemão «Seeadler» (colocado sob o mando do conde Felix von Luckner, um dos mais notáveis oficiais de marinha do 'kaiser') em pleno oceano Atlântico. O «Charles Gounod» procedia da Austrália (pela rota do cabo Horn) e dirigia-se a Nantes com um carregamento de cereais (milho e trigo). Interceptado pelo 'raider', depois de feroz perseguição, durante a qual o navio germânico se mostrou mais rápido, o veleiro gaulês viu parte da sua carga pilhada pelo inimigo e toda a sua equipagem (24 homens) receber ordem de prisão. A tripulação do navio vencido seria, enquanto o «Gounod» era armadilhado (com cargas explosivas) e afundado, transferida para o «Cambronne» (capturado precedentemente pelos alemães) e, dias mais tarde, desembarcada no porto neutro do Rio de Janeiro; de onde seria posteriormente (em Abril de 1917) repatriada para a Europa.

terça-feira, 23 de maio de 2017

«VIMIERA»


'Destroyer' da armada real britânica. O seu nome lembra (de maneira trapalhona) a batalha de Vimeiro -travada durante a Guerra Peninsular- durante a qual as tropas anglo-portuguesas venceram o exército napoleónico de invasão colocado às ordens de Junot. Este navio foi construído nos estaleiros da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Wallsend; que o lançaram à água em 1917. A sua entrada em serviço quando a Grande Guerra se aproximava do fim, não lhe deu a oportunidade de participar nos combates desse primeiro conflito generalizado. De modo que a sua carreira foi quase sem história (salvando o facto de ter transportado dois plenipotenciários russos para o seu país, depois de terem negociado, em Londres, o Acordo de Comércio Anglo-Soviético) até ao deflagrar da guerra de 1939-1945. Altura em que o «Vimiera» já era um navio algo antiquado. Apesar de, entretanto, ser sofrido trabalhos de modernização e de ter recebido armamento antiaéreo. As suas primeiras acções consistiram na escolta de comboios no mar do Norte (desde 1939) e em operações de apoio à evacuação (em 1940) das tropas aliadas de Dunkerque. Nesta acção, estima-se que tenha resgatado cerca de 2 000 militares, apesar de ter sido seriamente danificado por um ataque da 'Luftwaffe'; que implicou uma passagem pelo estaleiro. Depois de devidamente reparado este 'destroyer' voltou à proteção de comboios e atribui-se-lhe (em 1941) o abate de várias aeronaves hitlerianas; facto que valeu alguns membros da sua guarnição a atribuição de medalhas e outras distinções. Ainda nesse mesmo ano, o «Vimiera» ilustrou-se por ter salvo marinheiros de navios do comboio FS-559, que, na sequência de mais um ataque aéreo do inimigo, encalharam nas praias de Haisborough. Esta valente unidade da 'Royal Navy' (que era da classe 'V' e que usou o lema 'Vitória como antigamente') afundou-se no dia 6 de Janeiro de 1942 no estuário do Tamisa, depois de ter chocado com uma mina. Sofrendo a perda de 93 homens. O «Vimiera» deslocava 1 339 toneladas em plena carga e apresentava as seguintes dimensões : 91,40 metros de comprimento por 8,20 metros de boca por 2,70 metros de calado. a sua maquinaria a vapor (caldeiras e turbinas) desenvolvia uma potência de 27 000 shp, o que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 34 nós. Do seu armamento constavam 4 canhões de 102 mm, peças para tiro AA e 4 tubos lança-torpedos.

«JACQUES»


Este soberbo veleiro -uma barca de 3 mastros e com casco de ferro- foi construído no Havre (França), pelo estaleiro Ehrenberg; que o lançou à água no dia 21 de Janeiro de 1897. A sua carreira começou sob maus auspícios, visto que no dia do seu bota-abaixo o navio se virou sobre um dos cais do acima referido porto, danificando seriamente o mastreame. O «Jacques» era um navio de 1941 toneladas (TAB ou deslocamento ?), medindo 76,80 metros de comprimento por 11,60 metros de boca. Sabe-se que teve, pelo menos, dois armadores franceses e que -já nas mãos da Compagnie Générale des Îles Kerguelen (a operar no arquipélago pré-Antárctico de São Paulo e Amsterdão) este veleiro foi buscar às Falkland, em 1913, um milhar de ovelhas destinadas a serem aclimatadas nas ilhas Kerguelen. Operação que, diga-se de passagem, constituiu um retumbante fracasso. O «Jacques» foi vendido, em 1914, ao armador norueguês A/S Strix, de Sarpsborg, que lhe conferiu o novo nome de «Strix». E, cinco anos passados, em 1919, foi transferido para a frota da A/S Vigor, de Chistiansand, também da Noruega, que lhe acordou o seu derradeiro nome : «Vicomte». Este 'cap-hornier' (nome dado pelos gauleses aos navios aptos a realizar viagens transoceânicas e a afrontar o terrível cabo Horn) ainda navegou até 1924; ano em que, por se encontrar obsoleto, foi enviado para a Alemanha para ali ser desmantelado.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

«LIFLAND»


Cargueiro a vapor construído, em 1921, nos estaleiros Moller A. P., de Odense (Dinamarca). Equipado com 1 máquina Vickers, fabricada no Reino Unido, este navio podia atingir 9,5 nós de velocidade máxima. A sua tripulação era normalmente constituída por 23 homens. O seu armador foi a sociedade A.N. Petersen & E. Hahn-Petersen com escritórios em Copenhague.; que usou o «Lifland» até 1940 e que (nesse mesmo ano e por causa da ocupação nazi da Dinamarca) autorizou a sua transferência para o Ministério da Guerra britânico. Que haveria de utilizar este cargueiro para fins de transporte militar e outros. Não duraria muito tempo em mãos inglesas, já que, por volta das 21 horas do dia 29 de Setembro de 1942, este navio (que navegava com o comboio aliado SC-101) foi interceptado e torpedeado pelo submarino germânico «U-610». O ataque produziu-se a sudoeste do cabo Farewell e não houve sobreviventes. 24 mortos. A ilustração aqui anexada é da autoria do artista R. Mattson e mostra o navio em 1936, quando ainda usava bandeira do seu país de origem.

«CHARLESVILLE»


Paquete que desfraldou, inicialmente, bandeira da Bélgica. Foi construído em Hoboken (arrabaldes de Antuérpia) pelos estaleiros navais de John Cockerill. Serviu durante uma dezena de anos na linha Amtuérpia-Matadi (no antigo Congo Belga). O «Charlesville» era um navio com 10 901 toneladas de arqueação bruta, que media 153,66 metros de longitude por 19,60 metros de boca.  A sua propulsão era assegurada por máquinas diesel, que desenvolviam 7 200 cv; força que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 16 nós. A sua tripulação comportava 140 elementos, inteiramente colocados ao serviço dos 248 passageiros que o «Charlesville» podia acolher nos confortáveis camarotes de bordo. Não era raro que este paquete da Compagnie Maritime Belge (pertencente a uma classe que compreendia, igualmente, os navios «Elisabethville», «Léopoldville», «Baudoinville» e «Albertville») prolongasse o seu itinerário até ao porto angolano do Lobito, transportando, frequentemente, passageiros portugueses. Este paquete manteve-se na linha de África até 1960, quer dizer até meia dúzia de anos depois da independência do Congo; só sendo retirado do serviço devido à concorrência do transporte aéreo. Em Julho de 1967 foi adquirido por uma empresa estatal da extinta R. D. A. -a VEB Deutsche Seereederei, de Rostock- e colocado numa linha que ligava a chamada Alemanha de Leste a Cuba, ao México e às Antilhas (Baamas, Bermucas, Jamaica). Para além do frete e dos passageiros que então  transportava, o rebaptizado «Georg Bücchner» também formou, nesse tempo, 150 aprendizes de diferentes profissões ligadas à navegação. Em 1977, este navio foi imobilizado no referido porto de Rostock, onde funcionou, sucessivamente, instituto profissional, lugar de exposições marítimas, centro de emprego, navio-hotel, etc.. Posteriormente desactivado, o ex-paquete foi alvo das atenções de um grupo de nostálgicos de antigos navios (sedeado na Bélgica), que solicitou as autoridades do seu país para que o comprasse, visto haver abertura por parte dos seus proprietários de então. Mas o negócio nunca foi fechado e o navio foi enviado para um estaleiro de Klaipeda, na Lituânia, que se responsabilizou pelo seu desmantelamento. Puxado por dois rebocadores polacos, o antigo «Charlesville» nunca chegou, porém, ao seu destino, por se ter afundado no Báltico na noite de 30 para 31 de Maio de 2013. A sua carcaça repousa não muito longe do farol de Rozewska, situado ao norte do porto de Gdynia.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

«DUNKERQUE»

Esta belíssima barca francesa de 4 mastros foi construída, no ano de 1896, em Rouen, nos estaleiros da firma Laporte & Cie.. Pertenceu à poderosa casa armadora A. D. Bordes e foi substituir na respectiva frota um navio de mesmo nome; que, em Junho de 1891, se perdeu em circunstâncias algo misteriosa no oceano Atlântico, quando navegava de Cardiff para o Rio de Janeiro. Este veleiro foi realizado no quadro de um programa promovido pelo governo de Paris, que, nas duas últimas décadas do século XIX, ofereceu uma subvenção de 65 francos por tonelada aos proprietários de navios que aceitassem construí-los em aço. O «Dunkerque» (assim baptizado em honra de uma importante cidade portuária da Flandres) foi especialmente concebido para o comércio de nitratos com o Chile. E, até 1924, ano em que foi retirado de serviço e enviado para a sucata (foi desmantelado em Itália), manteve-se praticamente sempre ligado aos portos desse país sul-americano (Valparaiso e Iquique) através de uma rota que passava pelo perigoso cabo Horn. No seu historial é justo mencionar o facto de, em 19 Abril de 1906, este elegante veleiro ter prestado socorro aos poucos sobreviventes do navio-escola belga «Comte de Smet de Naeyer», que se afundou tragicamente no golfo da Biscaia. O «Dunkerque» de que falamos usava os serviços de uma centena de tripulantes. Deslocava 3 338 toneladas e media 99,85 metros de comprimento por 13,85 metros de boca.

«INDUSTRY»

Vapor de rodas laterais construído, em 1911, na Austrália. Operou, essencialmente, no rio Murray, (Austrália meridional) onde desempenhou tarefas polivalentes : como transporte (eventual) de passageiros e carga, como draga, como oficina móvel, etc. Era uma embarcação de 91 toneladas, que media 34 metros de comprimento por 5,60 metros de boca. O «Industry» era uma plataforma de fraco calado, o que lhe permitia aceder a zonas de profundidade limitada. onde a sua acção permitia manter canais limpos e abertos à navegação local. Este barco estava equipado com 1 máquina de 30 cv. A sua tripulação raramente ultrapassou os 4 homens. O «Industry» teve vida activa até 1969, ano em que foi retirado do serviço, após mais de meio século de útil trabalho. Posteriormente foi restaurado, para ser exposto -em Renmark- à admiração dos turistas.  Agora voltou a navegar e não é raro vê-lo a transportar, nas águas calmas do Murray, os nostálgicos da navegação fluvial e de barcos históricos. Nos anos 90 do passado século, o «Industry» serviu de palco a algumas cenas da série de televisão (produzida pela ABC) intitulada «The River King». A imagem aqui apresentada mostra o vapor em apreço na sua derradeira função, ao serviço da actividade turística.

«IRIS»


O «Iris» foi um veleiro francês do canal da Mancha, que actuou -em operações de contrabando com o sul de Inglaterra- no primeiro quartel do século XIX. Caracterizava-se pela velocidade proporcionada pelo seu aparelho, que era constituído por 2 mastros e por outras tantas velas 'terciadas'. Que eram panos trapezoidais na sua forma e de grandes dimensões em relação ao tamanho da embarcação que as usava. Esse velame conferia ao «Iris» uma velocidade tal, que lhe permitia (quase sempre) distanciar as embarcações da polícia aduaneira que, com frequência, lhes moviam perseguições. Segundo a nomenclatura francesa, estes veleiros eram chamados 'lugres', mas que, como é óbvio, nada têm a ver com os bacalhoeiros também assim designados que os portugueses mandariam posteriormente aos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. O «Iris» (cuja tonelagem se desconhece) media 18,30 metros de comprimento por 1,70 metro de boca. No seu bojo (tinha casco em madeira) existiam vários esconderijos onde os contrabandistas (geralmente 4 ou 5 homens por cada barco deste tipo ) dissimulavam as mercadorias ilegais que transportavam. Apesar das suas espectaculares fugas diante das embarcações dos serviços fiscais, este veleiro acabou por ser capturado -em Dezembro de 1819- ao largo de Boulogne-sur-Mer. Calcula-se que, naquela época e só no sul de Inglaterra, tenha havido mais de 20 000 pessoas a viver do contrabando alimentado pelos franceses. O que resultava em prejuízos económicos relevantes para o país de Sua Majestade. Nota : o veleiro aqui representado não corresponde ao «Iris», mas a uma anónima embarcação da sua época e do seu tempo.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

«BUARQUE»

Mercante a vapor, cuja história apresenta a particularidade de ter sido o primeiro navio de bandeira brasileira a ser afundado pela marinha de guerra hitleriana, após o corte de relações entre a maior nação da América do Sul e as potências do Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Este navio de 5 152 toneladas e com 122,20 metros de longitude por 16,50 metros de boca, foi construído em 1919 nos estaleiros American Shipbuildind Shipping Corporation, de Filadélfia, Foi uma das 122 unidades de uma classe denominada 'Hog Islander' (com capacidade para carga e passageiros), com as quais o governo de Washington pretendeu renovar a sua frota mercante logo a seguir à Grande Guerra.  Antes de ir parar a mãos brasileiras, chamou-se sucessivamente, «Bird City» (até 1932) e ««Scanpenn» (até 1940), usando as cores das armadoras American Scantic Line e Moore McCormack. Adquirido pelo Lloyd Brasileiro, foi registado no Rio de Janeiro e passou a usar o apelido de um dos seus antigos administradores e também ministro : o Dr. Manuel Buarque de Macedo. Colocado sob o comando do capitão João Joaquim de Moura, o navio passou a navegar entre a então capital do Brasil e Nova Iorque, com escalas em vários outros portos importantes como Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, La Guaira e Curaçao, entre outros. Foi durante uma dessas suas rotineiras viagens, que -no dia 15 de Fevereiro de 1942- o «Buarque» foi sobrevoado por uma aeronave não-identifica, que assinalou a sua posição com artefactos luminosos. Pouco tempo depois, quando o mercante brasílico navegava a cerca de 54 milhas náuticas ao norte do cabo Hatteras, surgiu-lhe pela frente o submarino alemão «U-432» (que se encontrava às ordens do capitão-tenente Heinz Otto Schultze), que o afundou com o disparo de 2 dos seus torpedos. Os tripulantes e passageiros do «Buarque» lograram salvar-se, por terem, antes da agressão, recorrido ao uso de baleeiras. Foram resgatados por um guarda costeiro norte-americano (o USCG «Calypso»), por um contratorpedeiro de mesma nacionalidade (o USS «Jacob Jones») e pelo petroleiro «Eagle» (da companhia Standard Oil), que os desembarcaram no porto de Norfolk. No naufrágio do navio houve apenas uma única morte a lamentar : a de um passageiro português, que faleceu num dos botes salva-vidas.

«ADROIT»

Navio de guerra da armada gaulesa construído em finais da década de 20 do passado século nos Chantiers de France, em Dunquerque. Era um dos 14 torpedeiros da classe que tomou o seu nome. O «Adroit», que entrou em serviço em 1928, era um navio que deslocava 2 000 toneladas em plena carga e que apresentava as seguintes dimensões : 107,20 metros de comprimento, por 9,84 metros de boca por 4,30 metros de calado. Foi uma unidade concebida para a luta anti-submarina, equipada com armamento apropriado para cumprir essa função (6 tubos lança-torpedos de 550 mm), mas também dotada com 4 canhões de 130 mm e com 2 peças AA de 37 mm. A sua propulsão era assegurada por um sistema (turbinas e caldeiras) que desenvolvia 34 000 cv e que o projectavam a 37 nós de velocidade máxima. O «Adroit» tinha uma guarnição de 150 homens. Este navio participou nos primeiros combates da 2ª Guerra Mundial, mas, aquando da denominada Operação Dínamo (durante a qual se pretendeu evacuar os militares Aliados cercados nas praias de Dunquerque pelo avanço das tropas nazis) o «Adroit» foi um dos numerosos navios franco-britânicos a serem destruídos pelas investidas da 'Luftwaffe'. A perda do torpedeiro em apreço ocorreu no dia 31 de Maio de 1940 (quando se encontrava sob o mando do capitão-de-fragata Dupin de Saint Cyr) e foi causado pelas bombas lançadas por um bimotor Heinkel He.111. No afundamento do torpedeiro «Adroit» pereceram 27 homens da sua equipagem. Os sobreviventes foram recolhidos por navios amigos ou feitos prisioneiros pelo invasor. A carcaça enferrujada do navio ainda era visível em meados dos anos 50 nos malfadados areais do Pas-de-Calais.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

«MARTIM DE FREITAS»

«Martim de Freitas» foi um dos vários nomes atribuídos a um navio de linha português (de 3ª classe) dos séculos XVIII e XIX. Foi construído -sob a competente orientação de mestre António da Silva- no arsenal da Baía (Brasil) em 1763 e, oficialmente, integrado na nossa armada a 28 de Fevereiro desse mesmo ano. Usou , nesse tempo, o nome de «Santo António e São José». Fez parte da Esquadra do Sul e participou, em 1784, na expedição contra Argel. Em 1794, sofreu grandes trabalhos de modernização, saindo do estaleiro com o novo nome de «Infante D. Pedro Carlos»; que se lhe conheceu até 1806, quando lhe foi dado o de «Martim de Freitas». No dia 29 de Novembro de 1807, esta nau foi um dos 16 navios de bandeira portuguesa que zarpou do estuário do Tejo rumo ao Rio de Janeiro. Nele viajou, nessa ocasião, parte da corte de D. João VI, que, com os invasores franceses às portas de Lisboa, decidiu transferir-se para o Brasil. Este navio de 64 canhões (distribuídos por 2 'decks') quedou-se por águas sul-americanas, onde, ao serviço do Império, cumpriu missões de soberania ao longo de todo o litoral brasileiro. Quando -em 1822- se consumou a independência da nossa mais extensa colónia, o navio em causa foi cedido à nova nação, que lhe deu o nome do seu primeiro imperador : «D. Pedro I». O ex-«Martim de Freitas» tornou-se, assim, o primeiro navio de guerra a hastear a bandeira do Império Brasileiro e a ostentar as cores da sua armada. Este navio apresentava (na sua fase inicial) as seguintes dimensões : 53,33 metros de comprimento (na quilha), 13,38 metros de boca e 6,37 metros de calado. Tinha uma guarnição que variava entre 500 e 650 homens, constituída por marinheiros, soldados e respectivos oficiais. Nota final : a imagem anexada representando o «Martim de Freitas», é da autoria do escritor, ilustrador e arquitecto Telmo Gomes, que a incluiu na sua excelente obra «Os Últimos Navios do Império».

quinta-feira, 11 de maio de 2017

«RORAIMA»

Navio de patrulha fluvial pertencente aos efectivos da Armada do Brasil. É uma unidade ligeira da classe que recebeu o seu nome. Usa o indicativo de amura P-30 e navega sob o epíteto de 'Águia do Amazonas'. O «Roraima» foi construído pela firma MacLaren Estaleiros e Serviços Marítimos, de Niterói, na base de um projecto do engenheiro naval Jorge A. M. Vasques. Incorporado na marinha de guerra brasileira em Fevereiro de 1975, este patrulheiro foi  incluído na Flotilha do Amazonas, que integra o 9º Distrito Naval com sede em Manaus. Desloca 365 toneladas em plena carga, mede 46,30 metros de comprimento por 8,45 metros de boca. E o seu calado é de apenas 1, 37 metro, o que lhe permite navegar nas águas baixas de alguns tributários amazónicos de menor caudal. A sua propulsão está assegurada por 2 máquinas Volvo 'Penta', que lhe autorizam uma velocidade máxima de 17 nós e um raio de acção de 6 000 milhas náuticas (com andamento reduzido a 11 nós). Do seu armamento constam : 1 canhão de 40 mm, 2 metralhadoras de 20 mm, 4 outras de 12,7 mm e 2 morteiros de 81 mm. Também transporta 2 lanchas de acção rápida capacitadas para o transporte de fuzileiros. Da sua guarnição habitual fazem parte 56 homens, 5 dos quais pertencem ao quadro de oficiais. Este navio patrulha é uma unidade polivalente, pois combina a sua actividade militar com missões de carácter humanitário, viradas para o apoio e assistência (médico-sociais, entre outros) às isoladas populações ribeirinhas. Por essa razão, o navio dispõe, igualmente, de consultórios de medicina generalista, médico-dentária e de uma enfermaria. O «Roraima» também cumpre missões de carácter diplomático, que, de quando em vez, o levam (em visitas de cortesia) a países vizinhos, tais como a Colômbia, o Peru e o Equador; que com o Brasil, partilham o vasto e rico espaço amazónico. Este navio sofreu reparações (que o modernizaram) entre Setembro de 2005 e Fevereiro de 2006. O nome deste navio-patrulha alude e presta homenagem ao estado federal de Roraima e à montanha também assim chamada. Que, com 2 875 metros de altitude, é um dos pontos culminantes do Brasil.

terça-feira, 9 de maio de 2017

«GALEOTA GRANDE»


Construída na Ribeira das Naus (na capital do Reino) por encomenda do rei D. João V, a «Galeota Grande» foi uma das várias embarcações de parada realizadas, nesse histórico estaleiro, para uso exclusivo da casa real e dos seus ilustres convidados. Esta barca, guarnecida por 1 patrão, 1 cabo proeiro e 80 remadores, foi lançada à água em 1728 e a sua construção terá sido requisitada por ocasião dos matrimónios da infanta D. Maria Bárbara e do futuro rei D. José I. A «Galeota Grande» (hoje exposta no Museu de Marinha, aberto numa ala do mosteiro dos Jerónimos) é uma belíssima e requintada embarcação, que honra a indústria naval portuguesa setecentista. Distingue-se pela beleza apurada das suas linhas, pela riqueza dos seus adornos (tanto externos como internos) e pelo luxo da camarinha, onde -entre cortinados de damasco, panos de Arrás, alcatifas raras e almofadas bordadas a ouro- tomavam lugar os soberanos e os cortesãos de maior destaque. O casco desta embarcação ostenta um decorativo listão de folhagem renascentista e as duas faces do leme mostram um magnífico golfinho dourado. A «Galeota Grande» sofreu alterações ao longo dos tempos. Assim, no reinado de D. Maria I, as armas de D. João V foram substituídas no painel de popa pelas da soberana. Acontecendo o mesmo no reinado de D. Pedro V, por alturas do seu casamento com a rainha D. Estefânia em 1858. Esta galeota foi frequentemente utilizada pela corte, em passeios e paradas no Tejo. Em 1880, a «Galeota Grande» participou dos festejos em honra do poeta Camões, tendo transportado a urna com os supostos restos mortais do poeta até aos Jerónimos. E, em inícios do século XX, foi de novo usada em dois acontecimentos importantes : durante a visita oficial de Eduardo VII a Portugal, transportando o ministro da marinha, e aquando da visita do 'kaiser' Guilherme II, levando parte da sua comitiva, do navio imperial até ao Cais das Colunas. A sua última viagem realizou-se em 1934, quando participou no cortejo comemorativo das festas da cidade.

«MARIANNE TOUTE SEULE»


Esta embarcação é uma réplica (à escala 1/1) de um pesqueiro tradicional de Berck-sur-Mer, uma pequena cidade da Flandres francesa (Pas de Calais) banhada pelo canal da Mancha. Onde, em finais do século XIX, existia uma frota pesqueira comportando mais de uma centena de embarcações deste tipo. Este barco à vela foi construído -em 1992- sob a égide de uma associação local empenhada em preservar o património e as tradições marítimas de Berck.  O «Marianne Toute Seule» (cujo nome presta homenagem a uma benemérita local, que se distinguiu na protecção e formação de crianças desamparadas) abriga-se, actualmente, no pequeno porto de Madelon, situado na baía de Authie. É uma barca de fundo chato, de boca aberta, com 2 mastros, sendo um deles (o de popa) descentrado e removível. As suas velas apresentam uma área de 40 m2. O «Marie Toute Seule» mede 5,70 metros de comprimento por 2,70 metros de largura. O fundo chato permitia aos pescadores de outrora arrastá-lo para a praia de Berck, que, nos tempos áureos da pesca na região, não dispunha de estruturas portuárias. Esta embarcação participa em manifestações e passeios, que promovem a herança de coisas do passado, que, cada vez mais, é importante proteger, mostrar, divulgar.